Estou Construindo Nos Tempos Antigos - Capitulo 45



Capitulo 45 - Com fome

A clínica médica de Xiao Yuhe era muito fácil de encontrar em Xinyang. Cheng Haixiang e Cuiliu, com espigas de milho nas mãos, viraram uma esquina e logo viram a placa da clínica.

Cheng Haixiang parou na rua, e de onde estava, já podia ver Xiao Yuhe lá dentro atendendo pacientes. Vestido com uma túnica amarela, ele se destacava completamente no meio da multidão. Bastou um olhar e Cheng Haixiang ficou imediatamente hipnotizado pela beleza etérea e deslumbrante de Xiao Yuhe.

Fazia tempo que não o via, e Xiao Yuhe estava ainda mais bonito do que na lembrança.

Seu rosto gracioso continuava impecável, e especialmente aqueles olhos de raposa, cheios de charme a cada movimento do olhar — Cheng Haixiang simplesmente não conseguia desviar os olhos. Cuiliu, que estava ao seu lado, foi completamente esquecida.

Comparada à beleza rara e refinada de Xiao Yuhe, Cuiliu parecia apenas uma pedra qualquer — bonita, talvez, mas banal.

"Seu remédio já está pronto."

Xiao Yuhe colocou o pincel de lado, esticou a mão para entregar a receita. No entanto, ele pareceu desconfortável e franziu levemente as sobrancelhas. Com os dedos longos e elegantes, pressionou a testa, sentindo uma leve tontura subir pela cabeça. Havia algo preso em sua garganta e o estômago também começou a embrulhar.

Vontade de comer algo azedo...

"Será que é fome?"

Desde que percebeu que tinha ganhado uns quilos, Xiao Yuhe decidiu que precisava perder um pouco de peso. Desde o dia anterior, começou a comer menos de propósito — reduziu sua alimentação à metade do que comia normalmente.

Agora, seu corpo estava implorando por comida. Xiao Yuhe xingou a si mesmo em silêncio, chamando-se de guloso. "Faz tão pouco tempo desde que comecei a comer menos, e já estou assim? Que fraqueza!"

Não é de se estranhar que seu marido o chamasse de "jovenzinho mimado".

Cheng Haixiang observava de longe Xiao Yuhe e murmurou, encantado:
"Quando esse belo rosto franze a testa, fica ainda mais bonito."

Xiao Yuhe tinha a testa levemente franzida, os olhos semicerrados como se estivessem cobertos por uma leve névoa. Os lábios estavam bem fechados, e o ponto vermelho de cinábrio entre as sobrancelhas era como o toque final de uma obra-prima, conferindo ainda mais graça e charme a esse verdadeiro personagem saído de um quadro.

Aquela visão deixou o coração de Cheng Haixiang palpitando. Ele adorava ver rostos belos imersos em melancolia — era quando julgava estarem mais encantadores.

"Ele com certeza não está feliz vivendo aqui", pensou."Uma beleza como Xiao Yuhe deveria estar em um palácio de jade, suspirando por flores de primavera ou luas de outono, não atendendo plebeus como um curandeiro qualquer!"

Na mente de Cheng Haixiang, Xiao Yuhe, filho de uma casa nobre, havia sido forçado por Duan Shubai a abrir uma clínica e se rebaixar a cuidar de gente comum. "Não é de se admirar que todos elogiem o general... esse Duan Shubai só sabe encenar! Usa o nome da honra para obrigar sua própria esposa a baixar de status."

"Fazer Xiao Yuhe diagnosticar plebeus? Como mãos tão delicadas podem tocar aquelas pessoas sujas?"

Foi aí que entendeu o motivo das sobrancelhas franzidas. "Meu pobre primo... se ao menos tivesse aceitado ser meu concubino, nada disso estaria acontecendo."

"Xiao Yuhe, um jovem mestre de família nobre, sendo obrigado a viver de medicina, lidando com gente de classe inferior... Que destino cruel o seu!" disse Cheng Haixiang, cheio de pesar.

Ao lado, Cui Liu concordou: "O senhor está certíssimo. O jovem mestre Xiao sofreu demais."

Mas no fundo, Cui Liu não pensava o mesmo. Se ela tivesse uma habilidade como a dele, abriria uma clínica também. Ser independente era muito melhor do que viver como uma parasita em um homem.

"Ele está tão miserável quanto você estava", comparou Cheng Haixiang, lembrando-se do passado de Cui Liu. "Se eu não a tivesse tirado daquelas casas noturnas, estaria sofrendo até hoje."

Enquanto isso, imaginava: "Se eu resgatasse Xiao Yuhe com a mesma ternura... será que ele também se entregaria a mim de coração?"

"Ele está se afogando... e eu sou a tábua de salvação."

Cheng Haixiang arrumou a roupa com cuidado, alisando as mangas:
"Cui Liu, como estou?"

"Impecável. Um verdadeiro cavalheiro, elegante como uma árvore em flor", elogiou ela.

Sorrindo, ele abriu seu leque dobrável. "Espere aqui. Vou ver meu primo."

Com o vento de outono soprando, Cheng Haixiang caminhou confiante até a clínica. Seus olhos só viam Xiao Yuhe. Quando finalmente chegou perto, disse com um suspiro carregado de sentimento:

"Yuhe."

Ao ouvir seu nome ser chamado repentinamente, Xiao Yuhe virou-se e ficou surpreso. De fato, era um rosto familiar — Cheng Haixiang, que ele mencionara recentemente, estava mesmo ali, fitando-o com um olhar cheio de pretensão.

Ele nem teve tempo de se perguntar por que ele estava ali; apenas sentiu o estômago revirar. Se seu marido o olhasse daquele jeito, ficaria encantado, mas vindo daquele primo bajulador... só sentiu nojo.

"Esse olhar indecente... parece um cão sarnento vigiando sua presa", pensou.

Com seus conhecimentos médicos, bastou uma olhada para ver que Cheng Haixiang era um inútil, um corpo corroído por vinho e mulheres. Lembrar que um dia dissera algo bom sobre ele... que arrependimento!

O enjoo veio com força. Ele lutou para conter o incômodo, desviando o rosto, sem querer vê-lo. Mas Cheng Haixiang, iludido, achou que o gesto era de emoção reprimida.

Sem expressão, Xiao Yuhe disse friamente:"Primo."

"Yuhe, você tem estado bem? O general te trata direito?"

"Estou bem. E meu marido é muito bom comigo." A resposta veio fria, mas firme.

"Você emagreceu muito..."

"..."

"A água e a terra daqui são diferentes de Jiankang. Um jovem nobre como você... quanta dificuldade deve ter passado..." Ele se aproximou, querendo segurar a mão de Xiao Yuhe, mas este se afastou num gesto brusco, afastando-o com a manga.

"Primo, tenho afazeres. Se quiser conhecer Xinyang, a cidade é cheia de lugares interessantes. Divirta-se."

Sem sequer olhá-lo de novo, Xiao Yuhe foi para os fundos da clínica, massageando as têmporas. Cheng Haixiang ficou ali parado, sem ousar segui-lo.

"Por que ele não agiu como eu esperava?" pensou confuso.

"Cadê meu doce de ameixa azeda?" perguntou Xiao Yuhe, mal-humorado.

"O que houve, senhor?"

"Depois de ver aquele homem... fiquei enjoado. Preciso de algo azedo pra passar."

Qiu Ran correu até ele com a bandeja: "Aqui está, feito com carinho!"

O doce fora feito por Duan Shubai, que percebera a queda no apetite do esposo e, sabendo que ele gostava de coisas azedas e picantes, preparara algo especial com as ameixas colhidas no monte.

"Tem que comer tudo! Nada de desperdício!" ele dissera com carinho ao entregar.

Duan Shubai estava determinado a fazer seu adorável Yuhe engordar mais um pouquinho.

Enquanto saboreava o doce preparado pelo marido, Xiao Yuhe sorriu ao lembrar do rosto alegre e gentil dele. Casar com um homem assim, que até cozinha pra ele... quem mais teria um marido desses?

Com o estômago mais calmo e o coração leve, ele riu.

"Está com saudade do senhor, não é?" brincou Qiu Ran.

"Sim, estou mesmo. Quero ir cedo pra casa hoje. Vou fazer vinho de uva pra ele. Recolhemos várias uvas silvestres da montanha, mandei muita gente colher."

Qiu Ran, confuso: "Mas por que aquele primo veio até Xinyang?"

"Sei lá... Só espero que vá embora logo."

"Desculpe, senhor. Eu... eu não devia ter mencionado ele na frente do general. Talvez o senhor tenha se chateado."

"Não se culpe. Eu sei que você só queria deixar meu marido com ciúmes." Quem diria que aquela história boba ia virar realidade...

"Mas que homem horrível ficou esse tal primo!" Qiu Ran franziu o rosto com desgosto.

"E ainda chegou com uma moça vestida de rosa. Pelo jeito, os dois... têm relação bem duvidosa. Aquela mulher claramente tem jeito de cortesã. Um casal vulgar!"

"E ele ainda ousa cobiçar o senhor? Se o general estivesse aqui, já teria posto ele pra correr."

Enquanto Xiao Yuhe ignorava, Cheng Haixiang ficou arrasado. Foi pelas ruas perguntando sobre o casal da clínica — e todos diziam: "O general e a esposa? São um casal perfeito! Vivem trocando carinho. Ela cozinha pra ele, costura, lava roupa... um amor só!"

"Meu Deus, o Yuhe está sofrendo tanto!"

Cheng Haixiang atirou o leque no chão com raiva.

"Vive num casebre com um único criado, aquele tal de Qiu Ran. Um jovem tão puro e belo como Yuhe, agora sendo forçado a lavar roupa e cozinhar pra um brutamontes? E ainda cuidar de plebeus?"

"Ele deve estar chorando todos os dias... pobre primo. Se tivesse aceitado ser meu concubino, nada disso aconteceria!"

"Talvez, se eu aparecer agora cheio de carinho, me opondo ao general, ele se comova... e me aceite."

"Com aquele corpo, ah, se eu pudesse..." Cheng Haixiang começou a fantasiar. "Vou levar as coisas que ele gostava quando era pequeno e confortá-lo em casa."

Enquanto isso, Duan Shubai e seu vice Zhang Changle cavalgavam pelas montanhas ao redor. Agora que Xinyang estava mais estável, ele podia relaxar.

"Changle, te falei! Agora sim nossa vida vai mudar!"

"O general acerta tudo!", respondeu Zhang Changle, rindo.

Duan Shubai tomou um gole de vinho de frutas — feito pelo próprio Xiao Yuhe — e se sentiu revigorado.

A cidade estava bem organizada. Fu Qianxi, mesmo excêntrico, era ótimo nos detalhes administrativos e trouxe aliados competentes. Eles já trabalhavam no planejamento urbano, cadastro de moradores e terras — um passo importante para arrecadação e gestão.

O exército cultivava terras públicas. Os civis tinham suas próprias, e o imposto era de apenas 10%. Patrulhas rotativas garantiam a segurança, e os bandidos mais perigosos já haviam sido eliminados. Muitos camponeses salvos dos montes se juntaram à população. Alguns ex-bandidos, perdoados, agora trabalhavam nas construções.

A cidade crescia rápido. Antes, bicicletas eram novidade. Agora, moradores já pediam emprestado para circular entre Yang e Xinyang. Quem tinha terra e residência registrada podia usar gratuitamente por um dia, pagando apenas um wen.

Após a colheita, os refeitórios públicos deixariam de ser gratuitos, mas ofereceriam refeições a preço reduzido para famílias carentes. Quem tentasse se aproveitar seria enviado ao treinamento militar obrigatório por três meses.

Lojas começaram a surgir: confeitarias, restaurantes, hospedarias... tudo incentivado por Duan Shubai, inclusive pelos familiares dos soldados que haviam morrido ou se ferido — todos recebendo apoio e encorajamento a tocarem a vida com dignidade.

Duan Shubai também lhes deu algumas receitas de bolos, receitas de pratos e fórmulas para criação de bichos-da-seda e fiação. Essas coisas serviam para incentivar o povo de Xinyang a expandir seus negócios. Para uma cidade, desenvolver o comércio era algo essencial.

Essas lojinhas talvez ainda não estivessem dando lucro — especialmente as de grãos e restaurantes. A situação atual em Xinyang era quase como viver num sistema coletivo de partilha, mas mesmo assim havia comércio. Os antigos moradores de Yangcheng vinham comprar um pouco de grãos, e Duan Shubai tinha mandado pessoal a Xuanzhou para adquirir, de forma centralizada, produtos artesanais típicos de lá — como guarda-chuvas, tabaco, bebidas alcoólicas — e trazê-los de volta. Os moradores de Yangcheng e das aldeias vizinhas também vinham a Xinyang fazer compras. E dali, os produtos locais como tiras de batata-doce, farinha de milho, pimenta e tomate começaram a ser enviados para Xuanzhou. Duan Shubai mandava distribuir os produtos de Xuanzhou entre as lojinhas locais, de forma a suprir as necessidades básicas da população.

Com o aumento do fluxo de pessoas, todos os dias havia pelo menos um barco indo e vindo entre Xuanzhou e Yangzhou. Já começavam a aparecer visitantes de Xuanzhou vindo passear em Yangzhou.

Xinyang, agora, já começava a se formar como uma cidadezinha em forma de cone.

As estradas de cimento que Duan Shubai mandou construir já se ramificavam por toda parte. As vias principais dentro de Xiaoyang estavam prontas. As estradas conectando Xinyang a Yangcheng e às vilas próximas também estavam quase todas concluídas. Ontem, ele finalmente completou a tarefa paralela do sistema chamada [Missão de Infraestrutura de Transporte Público da Cidade].

[Parabéns por concluir a construção da infraestrutura básica de transporte da cidade.]

[Recompensa recebida: Projeto de cais fluvial; Projeto de embarcação (navio cargueiro de dois andares); Projeto de embarcação (navio cargueiro de três andares); Projeto de barco de pesca (um andar).]

[Nova missão paralela desbloqueada: Construção de Transporte Fluvial Básico.]

Após concluir a malha rodoviária, o sistema passou a exigir o planejamento do transporte fluvial — o que estava totalmente dentro dos planos de Duan Shubai. Yangzhou não podia ficar restrita a esse pequeno canto isolado. Apesar de estar separada por um rio, essa mesma separação também significava possibilidade. Eles podiam subir o rio e, por via fluvial, alcançar as regiões de Dingzhou e Yuanzhou a oeste.

Por agora, o cultivo agrícola era a principal força de desenvolvimento de Xinyang. No futuro, eles poderiam vender seu arroz, batata-doce, batata, milho e outros produtos para fora.

"Mais alguns dias e a escola vai estar pronta" disse Duan Shubai, tomando um gole de vinho e se espreguiçando preguiçosamente."Assim que a escola estiver pronta, começamos a construir o cais."

"General, eu também tenho que assistir às aulas?"

"Tirando sua boa caligrafia, me diga aí, que outra habilidade você tem? No mínimo, quero você decorando todos os livros militares que te dei."

"Mas não pode ser só eu..."

"Fique tranquilo, até os que mal sabem ler vão ter que ir também."

Nos planos de Duan Shubai, essa escola não serviria apenas para ensinar leitura e escrita, mas também para ensinar agricultura, pecuária, carpintaria, culinária, entre outras habilidades... Todos os cidadãos de Xinyang poderiam aprender algo ali.

E, claro, no futuro também iriam acrescentar matérias como astronomia, geografia, física e química.

Enquanto falava, Duan Shubai deu outro gole no vinho de frutas.

Zhang Changle, com seu nariz apurado, já estava farejando o aroma do vinho há um bom tempo. O leve cheiro alcoólico atiçava sua vontade e ele ficou um pouco invejoso:"Deixa o velho Zhang dar um gole aí também."

Duan Shubai sorriu, levantando a cabaça de vinho:"Quer beber?"

Zhang Changle assentiu com a cabeça.

Duan Shubai mudou o semblante na hora e recusou friamente:"Não dou."

"General, você é cruel demais! Changle te segue há tantos anos, e agora nem um gole de vinho você quer dar pra ele?" disse Zhang Changle, se fazendo de coitado.

Duan Shubai ainda se negou:"Esse vinho foi meu esposo que fez pra mim, com as próprias mãos. Quer beber? Tem um monte ali no depósito. Não acabou de sair uma nova leva com os grãos da colheita de outono?"

"Mas nenhum tem esse sabor frutado... De vez em quando, é bom variar um pouco o paladar."

"Variar o paladar?" Duan Shubai riu e, com crueldade brincalhona, passou o braço pelo ombro de Zhang Changle, aproximando o vinho para que ele cheirasse. Quando o outro tentou se aproximar para beber, ele impiedosamente tirou de perto."Se quer tanto variar o paladar, Changle, é melhor você arranjar logo uma esposa. Daí ela também vai te preparar vinho."

"Olha, casar muda tudo. Comida feita pela esposa tem outro gosto, e as roupas que ela costura são sempre as mais bonitas."

Zhang Changle abaixou os olhos, sem jeito:"Mas general, tirando você, aqui só tem solteirão. Dá pra pegar mais leve com essas palavras?"

"Ouvi dizer que o Lao Zhi vai trazer a mulher dele pra cá em breve."

Duan Shubai apoiou o queixo na mão:"E o Liang Lei também parece que está quase lá."

"Ih, general, você ainda tem tempo pra ficar por dentro disso?"

"Claro. Ouvi falar daquela moça, chamada Feng Tingting. Ela está trabalhando lá na clínica do meu esposo."

Zhang Changle comentou:"Essa moça Tingting não é qualquer uma. Dizem que sozinha já matou vários bandidos. Outro dia, subiu a montanha com a tropa pra eliminar uma quadrilha e ainda cuidou dos feridos."

"Quem disse que mulher vale menos que homem?"

"A moça é valente e ainda por cima bonita. Liang Lei tirou a sorte grande."

"Dias atrás, Liang Lei se machucou na mão, e a moça ficou toda preocupada..."

Duan Shubai ficou intrigado:"Changle, como é que você sabe dessas coisas todas e eu, que sou o general, não sei de nada?"

Como é que eu não sabia que meu vice-general era tão fofoqueiro assim?

Quase serve pra ser chefe da inteligência...

"Ué, general, você vive ocupado. Não tem como saber dessas coisinhas."

"Você, hein... Tá quase virando um daqueles escritores que inventam histórias demais."

"Olha, general, pra ser sincero, quando eu era pequeno, nunca pensei que ia virar militar. Me esforcei tanto pra estudar e aprender a escrever. No fim, acabei no exército, ao seu lado."

Duan Shubai respondeu com um sorriso:"Então eu estava certo em te mandar cuidar das coisas

"...General, melhor a gente voltar a falar da senhorita Feng e do Liang Lei, né?"

"O irmão do Liang, Liang Feng, tá todo empenhado em juntar os dois. Esses dias mandou um monte de carne de javali pra casa da moça. A mãe dela até achou que os dois irmãos estavam interessados nela!"

"Sério isso? Bem coisa do Liang Feng mesmo, todo sem jeito."

"Se os dois realmente acabarem juntos, eu mesmo, como general, posso fazer o papel de celebrante e conduzir o casamento!"

"Olha só! General também tá querendo oficiar casamentos agora? Vou anotar isso aqui no meu caderninho e espalhar pros outros depois."

"Se você se atrever a fofocar, eu te dou uma surra."

Zhang Changle e Duan Shubai continuaram tagarelando e trocando informações animadamente. Depois da conversa, Duan Shubai montou em seu cavalo Heiyu e voltou para casa.

No caminho de volta, ele viu Cheng Haixiang rondando a entrada de sua casa. Duan Shubai desmontou num salto, encarou o homem com firmeza e disse friamente:

"Quem é você? O que está fazendo parado na porta da minha casa?"
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