Estou Construindo Nos Tempos Antigos - Capitulo 39

 

                 Capítulo 39 - Canja de galinha


Após o fim da reunião, o céu já escurecia. O sol havia desaparecido, e apenas algumas nuvens avermelhadas ainda pairavam no céu ao leste e oeste — de um lado, um vermelho tênue; do outro, um tom profundo e intenso.

Duan Shubai caminhava em direção ao chalé de madeira com uma garrafa de vinho na mão, assobiando enquanto bebia pequenos goles no vento frio do entardecer. Quando se aproximou, avistou de longe uma silhueta alta e graciosa junto ao lago de lótus na frente da casa — Xiao Yuhe alimentava os peixes com uma porção de ração. Duan Shubai ficou um pouco surpreso.

Xiao Yuhe havia trocado de roupa, obviamente cuidando-se com muito zelo. Diferente das roupas sofisticadas e camadas do dia, agora usava trajes mais simples: uma túnica amarelo-clara por baixo e um véu fino por cima, o que lhe conferia um ar mais suave e etéreo. Seus longos cabelos pretos caiam soltos sobre os ombros, sem estar presos, criando um contraste relaxado.

Ao vê-lo envolto nesse amarelo suave, Duan Shubai sentiu-se imediatamente melhor, esquecendo todo o mau humor de antes.

Ele acelerou os passos, tomou outro gole de vinho e sorriu de canto enquanto se aproximava.

Xiao Yuhe abaixou a cabeça fingindo não tê-lo visto, segurando a ração sem jogá-la. As pontas de suas orelhas se moveram ligeiramente, ouvindo os passos cada vez mais próximos. Quando sentiu o calor da presença do outro ao lado, deu um pequeno passo para trás, envergonhado.

Duan Shubai agarrou sua mão e puxou-o para um beijo nos lábios. Xiao Yuhe se contorceu, incomodado com o gosto suave de álcool que se espalhava em sua boca.

"Você está fedendo a álcool, sai de perto!"

Duan Shubai, ao contrário, aprofundou o beijo. A saliva de Xiao Yuhe foi completamente explorada. Ele se apoiou no peito do outro, com os lábios entreabertos ofegando, os olhos úmidos e brilhando.

Xiao Yuhe sentiu os dedos dos pés se contorcerem. Aquela provocação o deixou excitado.

Ele ouviu uma risada baixa ao seu ouvido e pensou consigo: "É agora, ele vai me pegar nos braços..."

Seus lábios se curvaram involuntariamente num sorriso contido. Ele tentou se controlar, mantendo a expressão neutra — mas esperou, esperou... e nada aconteceu. Quando finalmente olhou para cima, viu que Duan Shubai já não o olhava.

"Ele está olhando o quê... o lago de lótus?"

Duan Shubai viu as carpas gordinhas surgindo na superfície para comer. Achou engraçado: "Até os peixes que meu branco rechonchudo cria ficam gordinhos... seja patinho amarelo ou peixe, todos ficam bem alimentados."

Ele comentou: "Yuhe, os peixes que você criou estão tão gordos. Daqui a uns dias, vamos pescar alguns e fazer sopa de peixe."

A atmosfera romântica se desfez num instante.

Xiao Yuhe, sem paciência, deu-lhe um chute na perna: "Você devia ser monge pro resto da vida. Com um rio inteiro de peixes, tinha que ser justo os meus?"

Duan Shubai riu e o puxou para o colo, sussurrando: "Porque os peixes criados por você com certeza são os mais gostosos do mundo."

"Tudo meu é o melhor, né?"

"Mas é claro!"

Xiao Yuhe esboçou um sorriso forçado, e Duan Shubai lhe acariciou os cabelos com ternura.

"Aliás, Yuhe, o que vamos jantar hoje? Por que você está aqui fora?"

"Hoje vai ser só canja de galinha."

Duan Shubai ficou surpreso: "Só sopa? Não tem mais nada?"

"Eu estava cansado, não quis cozinhar. Mas relaxa, fiz uma panela cheia de frango, você não vai morrer de fome. No pior dos casos, eu tomo só o caldo e deixo a carne toda pra você."

Duan Shubai não conteve o riso: "Que bobagem é essa? Eu como carne e você só toma sopa? Que tipo de marido faria isso?"

Ele pensou que, sendo um jovem senhor nobre, Xiao Yuhe já vinha cozinhando para ele há meses — um esforço que ele nunca teria feito no passado, na mansão. Lá, era sempre servido, sem sequer tocar em água morna. Com isso em mente, Duan Shubai sugeriu:

"Yuhe, e se você parasse de cozinhar? Eu posso comer no refeitório. Vamos contratar um bom cozinheiro só pra você. Quando você estava na Mansão Sun, eu vi que seu apetite era melhor... Se quiser, eu posso..."

Essas palavras soaram como uma facada no coração de Xiao Yuhe.

"O que você quer dizer com isso?"perguntou com os olhos marejados. "Você está cansado da minha comida? Já se enjoou de mim?"

"Não é isso!" Duan Shubai ficou desesperado. "Yuhe, é que eu me preocupo com você. Um jovem mestre da Mansão Hou como você não deveria estar se esforçando assim todos os dias. Eu só pensei que talvez você estivesse cansado hoje, e que não gostasse mais de cozinhar. Eu sou simples, como qualquer coisa. Você é quem precisa comer melhor."

"Ah, então só porque eu disse que hoje estou cansado, você já deduziu que nunca mais quero cozinhar? Que cabeça dura!" Xiao Yuhe agora chorava de verdade. "E ainda diz que é por mim, que sou frágil... Você é muito egoísta, Duan Shubai!"

"Yuhe..." ele ficou sem palavras.

"Eu disse que não gosto de cozinhar pra você? Eu gosto, gosto de ver você comendo tudo o que eu preparo. E eu também... também gosto de fazer aquela coisa com você. E você! Me faz confessar tudo isso em voz alta!"

Xiao Yuhe enxugou os olhos. Com o vento frio, sua bochecha ficou gelada, e os olhos lacrimejaram como se tivessem areia.

Duan Shubai se culpava internamente. Abraçou-o com força, pedindo desculpas: "Me desculpa, Yuhe. Eu nunca me cansei de você, muito pelo contrário. Eu adoraria comer sua comida todos os dias. Só quis ser atencioso. Mas agora vejo que devia ter dito a verdade: é um privilégio poder comer algo feito por você."

"Você devia mesmo! Não consegue nem dizer o que sente pra me agradar?"

"Eu sou meio lerdo com essas coisas... Mas me diga claramente o que você quer, tá? Eu gosto de você, quero cuidar de você, por isso não quero te forçar."

Xiao Yuhe o abraçou pela cintura: "Tudo isso... eu quero. Como é que você não vê isso? Se eu realmente não quisesse, você acha que eu teria me deixado... mesmo com alguma resistência?"

Ele bufou, bravo: "Dá vontade de arrancar seus olhos e jogar no lago de lótus pra lavar!"

Duan Shubai riu: "No lago de lótus não dá, é tudo lamacento. Melhor jogar no rio."

"Você ainda ri, seu idiota!" Xiao Yuhe limpou o rosto e pisou com força na bota dele.

Duan Shubai sabia que, se ele era um urso direto e tosco, Xiao Yuhe era uma raposa orgulhosa e contraditória. Ele sorriu e pegou-o nos braços:"Meu doce Yuhe, esse idiota aqui te ama. Ouvir você dizendo que me ama deixou meu dia inteiro feliz."

"Como recompensa, hoje é o marido que vai cozinhar. Você fica do lado me ensinando. Se der tempo, de agora em diante, eu vou fazer pra você."

Xiao Yuhe se pendurou em seu pescoço, puxando sua orelha: "Então aprende direitinho. Se a comida não ficar boa, eu não como!"

Duan Shubai hesitou: "Talvez seja melhor você me ensinar a fazer cozidos. Jogar tudo na panela e deixar ferver é o que eu sei."

"Você não tem nenhuma ambição, hein?!"

"Quer sopa de peixe?"

"Não! Tem cheiro forte, não gosto mais."

"Mas você gostava antes..."

"Agora não gosto mais. Só de sentir o cheiro já fico enjoado."

Duan Shubai levou Xiao Yuhe até a cozinha. Os dois prepararam vários pratos juntos, trocando carinho e risadas. Apesar de não ter a habilidade de Xiao Yuhe, os pratos de Duan Shubai não ficaram ruins.

"Estão feios, mas até que dá pra comer. Posso aceitar." avaliou Xiao Yuhe.

"Depois de treinar um pouco, vão ficar ótimos. Enquanto isso, vá se acostumando, tá? Se conseguir comer, vou fazer sempre."

"A cidade está cheia de trabalho, quem quer que você faça sempre? Deixa que eu cozinho pra você." Xiao Yuhe tomou um gole da sopa e perguntou: "O que o vice-general Zhang queria com você hoje?"

"Algumas vilas nos arredores de Yangcheng foram atacadas por bandidos."

"Você vai liderar pessoalmente a operação?"

"Não. Mandei dois homens fazerem isso. Por que eu, um general, deveria lidar com meia dúzia de ladrões? Seria matar uma galinha com uma espada de boi."

"Claro! Um monte de criminosos de quinta, não precisa de você pra lidar."

"Além disso, estou atolado com os assuntos de Xinyang."

"E aquele tal de Fu Qianxi que você trouxe? Achei que queria que ele ajudasse na administração."

"Mandei ele pro campo de treinamento."

"Você é mesmo terrível."

Duan Shubai lançou um olhar de soslaio. E tinha coisas ainda piores...

Ele não era um homem bom.

"Você disse que queria se controlar. Vai me evitar pelo resto da vida?"

Duan Shubai guardou essas palavras no coração. Após tantos anos como soldado, ele sabia como controlar o próprio corpo e mente. Quando precisava, podia viver em total abstinência. E, se decidisse se conter, conseguiria... mesmo à força.

Ele sempre conseguiu controlar muito bem o próprio corpo.

No entanto, esse método, quando aplicado a Xiao Yuhe, aparentemente causou um mal-entendido.

Ele realmente pretendia deixar Xiao Yuhe descansar por alguns dias e experimentar uma vida de abstinência. Mas isso acabou sendo interpretado como desinteresse — como se ele tivesse se cansado dele.

Duan Shubai apoiou o queixo na mão com seu jeito teimoso e pensou: "Numa situação dessas, não adianta dizer palavras doces... É melhor mostrar com ações — mostrar o quanto meu corpo gosta dele."

À noite, Xiao Yuhe vestiu sua roupa de dormir e sentou-se à beira da cama. Viu Duan Shubai fechar a porta e se aproximar com algo nas mãos.

"O quê que você vai fazer? Está com... minha fita de cabelo?"

Duan Shubai sorriu e sentou-se ao lado dele.

"Yuhe, hoje à noite vamos experimentar algo novo."

Xiao Yuhe teve os olhos vendados. Sem a visão, todos os outros sentidos do corpo pareceram se intensificar. Após gemidos leves e entrecortados, seu corpo tremia involuntariamente. Quando finalmente se acalmou, ele adormeceu com os olhos semicerrados. Antes de cair no sono profundo, pensou vagamente: "Esse sujeito devia mesmo virar monge pelo resto da vida!"

Na manhã seguinte, Liang Lei e Su Gang partiram para a montanha, cada um liderando duzentos homens para eliminar os bandidos.

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