Estou Construindo Nos Tempos Antigos - Capitulo 43
Capítulo 43 - Engordar com carinho
Essa frase, aos ouvidos de Duan Shubai, soou como uma melodia celestial. Como o seu pequeno Yuhe podia ser tão adorável? Ele queria apenas pegá-lo nos braços e apertá-lo até que virasse parte de si.
Depois de dizer isso, Xiao Yuhe desviou o olhar, claramente sem coragem de encarar Duan Shubai diretamente.
"Vira um pouquinho a cabeça."
Xiao Yuhe obedeceu ao comando, devagarinho inclinando o rosto em direção ao calor ao seu lado. As mãos apertavam com força a barra da roupa, os olhos se fecharam suavemente — parecia um filhote de passarinho recém-nascido. Seus cílios, longos como pequenas asas, tremiam levemente.
Duan Shubai soltou uma risadinha baixa e pousou um beijo delicado em sua bochecha, leve como o toque de uma libélula na água.
O rosto de Xiao Yuhe, pálido como porcelana, se tingiu instantaneamente de um vermelho suave, como se tivessem passado um pouco de rouge.
Seus olhos se moviam sem parar, inquietos. Com a voz embaraçada, murmurou:"Você... já terminou de beber? É que... eu preciso ir, então..."
Envergonhado daquele jeito, Xiao Yuhe parecia um bolinho de leite recheado de caramelo derretido. Naquela rara ocasião, vestia branco, com leves toques de amarelo claro no colarinho e nas mangas. Com a cabeça levemente baixa, parecia uma pequena divindade saída de uma pintura. A beleza de seus traços, delicada e incomparável, fazia com que cada mínimo gesto seu exalasse um charme irresistível.
Duan Shubai olhava para Xiao Yuhe e soltava umas risadinhas bobas. Comparado com alguns meses atrás, Yuhe agora estava um pouquinho mais cheinho, com curvas suaves e proporções harmoniosas — um verdadeiro "belo de jade", lindo de se perder o fôlego.
No fundo do coração, Duan Shubai pensava que ainda queria engordar seu pequeno Yuhe mais um pouquinho, deixá-lo ainda mais cheio e fofinho.
Xiao Yuhe viu aquele sorriso bobo e, sem perceber, o coração amoleceu. Ele também riu, baixinho, como se a doçura tivesse escapado sem querer.
"Tá rindo do quê?"
Os olhos de Duan Shubai brilhavam com um carinho que dava até enjoo de tão meloso.
"Estava pensando em te engordar um pouco."
"Você!" O sorriso de Yuhe congelou por um instante. Um calafrio passou por ele. Pensando bem... ultimamente, ele tinha engordado um pouco. As roupas antigas estavam mais justas, a cintura parecia mais grossa e até começava a aparecer uma gordurinha a mais.
"Será que eu engordei mesmo?" murmurou, inquieto.
Duan Shubai caiu na gargalhada.
"Engordar é ótimo! Fofinho é bom, você tem que ser mais fofinho ainda."
"Eu não quero engordar! A partir de agora, vou comer menos." Xiao Yuhe fez um biquinho e lançou a Duan Shubai um olhar cheio de mágoa.
E a culpa toda era dele! Vivendo com esse glutão, vendo o homem devorar tudo dia após dia, ele mesmo acabou comendo mais do que devia, sem nem perceber.
O pior é que seu apetite agora era quase o dobro do que costumava ser — e isso considerando que ele nem era de comer muito!
Comendo feito um "porquinho guloso", não era de se admirar que tivesse acumulado umas carninhas a mais.
O problema é que a carne que ele ganhou era toda molinha, fofa... bem diferente do "barril de músculos" que era o Duan Shubai. O corpo dele era firme, denso e todo trabalhado.
Xiao Yuhe olhou para ele. Duan Shubai era alto, bem mais que a média, mas com um corpo proporcional que não parecia nem magro demais, nem robusto ao ponto de parecer inchado. E, quando tirava a roupa... ah... aquela musculatura perfeita, o tronco em formato de V, a cintura fina, o abdômen definido...
Xiao Yuhe nem sabia mais onde sua mente estava — o rosto ficou inteirinho corado.
"E-eu... eu vou começar a comer menos."
"Que nada. Comer feito um gatinho, duas mordidinhas por vez, não é jeito de viver."
"Não quero comer. Tô sem fome!"
"Quer que eu prepare algo pra abrir o apetite?"
"Nem vem! Não quero que você cozinhe!"
Enquanto isso, Fu Qianxi tinha enviado dezenas de cartas espalhadas como pétalas ao vento — e finalmente conseguiu atrair alguns amigos. Wei Xing e Yan Li, que estavam de volta de uma temporada de estudos em Zezhou, abriram uma das cartas e embarcaram num barco rumo a Yangzhou, atravessando rios e terras.
"Ah Xing, você acha mesmo que Yangzhou é tudo aquilo que Fu Qianxi disse?"
"Dá pra acreditar, no máximo em uns 30% do que sai da boca dele."
"Pois é. Mas vamos ver com os próprios olhos. Já que estamos de volta de Zezhou, aproveitamos pra dar um pulo lá, visitar uns velhos amigos também."
Quando o barco encostou no cais, Yan Li se surpreendeu. Yangzhou não era nada do que ele esperava. Diziam que era uma terra bárbara, infestada de bandidos, assolada por desastres, onde o povo mal sobrevivia. Não era à toa que o jovem imperador teria mandado Duan Shubai para lá como punição.
Mas o que viram foi bem diferente: montanhas verdes, águas límpidas — um lugar bonito e pacífico.
Eles pegaram uma carroça puxada por bois e seguiram por uma estrada branca como neve, firme e reta.
"Que estrada linda, branquinha e lisinha. Nunca vi igual."
"Senhor, essa estrada foi feita quando?"
"Este ano mesmo. O general Duan mandou construir pra gente."
"E como se chama?"
"Acho que é... estrada de cimento, algo assim."
Seguindo em direção à cidade de Xinyang, viram coisas curiosas pelo caminho — como gente patrulhando de bicicleta! A população parecia acostumada, mas para eles, aquele "veículo de duas rodas" era uma invenção esquisitíssima.
Ao redor da cidade, o cenário era deslumbrante. As plantações bem cuidadas se estendiam por todos os cantos. O arroz da segunda safra crescia vigoroso, as folhas dançavam ao vento. Os novos campos lavrados formavam quadras verdes, cortadas por rios de um azul profundo, serpenteando pelas encostas.
Além dos grãos, Duan Shubai mandara plantar muitas árvores — desde madeiras até extensas áreas de frutíferas. Quando construíram as casas, o sistema dele tinha fornecido um monte de mudas, e ele deu um jeito de justificar tudo: disse que eram compradas em Xuanzhou, onde tinha enviado um grupo para fazer negócios.
Nos treinos ao ar livre, montado a cavalo, Duan Shubai também aproveitava pra sair espalhando sementes do sistema nos arredores — aliás, o que não faltava no sistema eram sementes! Jogava ao vento, e algumas acabavam criando raízes por ali.
Com isso, as montanhas em volta de Xinyang ficaram ainda mais ricas e biodiversas.
Mais de cem acres de pomares já haviam sido plantados. Em alguns anos, tudo aquilo estaria dando frutos — só de imaginar, dava alegria.
Quando Wei Xing e Yan Li chegaram, viram fileiras de casas de madeira, com jardins na frente e nos fundos. Algumas tinham hortas, outras trepadeiras e flores. Mesmo no outono, havia vida por todos os lados. As ruas eram amplas e limpas, galinhas e patos ciscavam despreocupados, folhas dançavam ao vento. À beira da estrada, os pessegueiros cresciam saudáveis — na primavera seguinte, seria um mar de flores rosadas.
A estrada principal era larga e longa. Além dos pessegueiros, haviam plantado várias flores. O motivo? O sistema de Duan Shubai mandava sementes demais, e os soldados, mesmo sem entender o porquê, obedeciam e plantavam. Para Duan Shubai, era só um jeito de embelezar o ambiente — se crescessem, ótimo, se não, tanto faz.
Na beira da estrada, algumas flores roxas ainda floresciam, lindas mesmo no outono.
Na entrada da cidade, Wei Xing e Yan Li respiraram fundo. O vento trazia um aroma adocicado — nenhum outro lugar tinha um cheiro assim.
Yan Li, que acabara de voltar de Zezhou, se apaixonou na hora por Xinyang.
As ruas estavam cheias de vida e, para surpresa deles, a cidade estava cheia de comidas diferentes. Provaram batata-doce frita — crocante e deliciosa. Wei Xing logo imaginou: "Com um bom vinho, isso aqui seria perfeito." Já Yan Li lambeu os dedos depois de comer.
Depois, sentiram o mesmo cheiro adocicado que o vento havia trazido. Seguindo o rastro, encontraram um milho amarelo cozido no vapor — grãos gordos, presos a um espeto. Compraram numa barraca simples. A dona os olhou como se fossem dois bobos.
"O milho aqui é de graça no refeitório, tem tanto que mal damos conta... Esses dois devem ser forasteiros ricos."
Eram mesmo. Morderam o milho e ficaram encantados com o sabor doce e intenso.
"Como é que as coisas aqui crescem tão doces assim?"
"Não faço ideia..."
Logo estavam comendo mais: macarrão de batata-doce com molho picante. A pimenta, para eles, era uma novidade — Wei Xing tossiu na primeira garfada, mas logo estava viciado. Já Yan Li preferiu a versão sem pimenta.
E havia ainda mais: arroz estalado no fundo da tigela, coberto por macarrão e um caldo espesso e perfumado. O arroz era feito de arroz glutinoso seco e frito — crocante, delicioso, e ainda melhor amolecido no caldo quente.
Não resistiram: comeram várias tigelas até não aguentarem mais — beberam até o último gole do caldo. Os moradores de Xinyang olhavam com pena: "Coitados... Devem ser refugiados famintos."
Quando Fu Qianxi os encontrou, os dois estavam tão cheios que mal conseguiam andar.
"Vocês dois... só pensam em comer? Eu os trouxe aqui pra ajudar, não pra devorar a cidade!"
Mesmo assim, os amigos riram e se abraçaram.
Yan Li comentou: "Xinyang é mesmo um lugar incrível."
Wei Xing acrescentou: "É, mas me diz, Qianxi, como foi que você — que vivia xingando o general brucutu — acabou trabalhando pra ele?"
No passado, Fu Qianxi fugira da casa de seu tio (o antigo regente), sempre falando mal de Duan Shubai.
Mas agora, ele respondeu sério:"General brucutu, nada! Hoje ele é meu superior."
"Tá brincando... Você mudou mesmo de ideia? Isso não parece com você."
Fu Qianxi se aproximou, fez cara misteriosa e sussurrou:"Foi ele quem me ajudou naquela confusão em Xuanzhou, quando defendi os refugiados de Jianzhou. Se não fosse por ele, eu não teria saído ileso."
"Então você está retribuindo?"
"Ele é meu benfeitor. E olha ali aquela rua: metade das pessoas andando ali eram refugiados."
Wei Xing e Yan Li arregalaram os olhos.
"Sério? Nem parecem! Estão tão bem..."
"Pois é," disse Fu Qianxi, com um sorriso satisfeito. "Por isso digo que o General Duan sabe governar. Eu sigo ele de bom grado."
Os dois amigos se entreolharam, pensaram no que haviam visto naquele dia — um povo simples, bem alimentado, vivendo em paz — e concordaram.
"Nesse caso, Qianxi, nos apresenta pra ele. Queremos ajudar também."
Fu Qianxi sorriu, os lábios tremendo com malícia:"Fiquem tranquilos. O General Duan valoriza pessoas de talento. Vocês serão recebidos como convidados de honra."
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