Estou construindo nos tempos antigos - Capitulo 61
Capítulo 61 – A Chegada
Era quase a mesma época do ano em que eles haviam chegado no ano passado, mas a cena no cais de Yangzhou agora era completamente diferente. A decadência e o abandono de antes haviam dado lugar a um ambiente animado e próspero.
Barcos de pesca alinhavam-se na margem do rio; pescadores de chapéu de palha lançavam redes e puxavam peixes. Visitantes vindos de Xuanzhou conversavam em sussurros, enquanto os barqueiros gritavam uns com os outros, tornando o cais incrivelmente movimentado. Embora ainda em construção, soldados e operários trabalhavam ao redor, abrindo caminhos, erguendo casas e construindo grandes embarcações.
Seguindo a margem do rio com os olhos, podia-se ver uma grande rede formando um criadouro de peixes no rio, com algumas casas de madeira suspensas sobre a água, ligadas à margem. As casas balançavam suavemente com as ondas, e na água límpida, tainhas negras saltavam ocasionalmente.
"Peixe fresco, peixe fresquinho! Leve dois, ganhe um!"
"Sopa de peixe! Uma moeda por tigela! Vai passar e não aquecer o corpo com uma?"
...
Mais adiante, além do cais, havia o mercado de peixe. Vendedores e compradores se concentravam ali, alguns fazendo negócios com os mercadores que vinham e iam, vendendo sopa de peixe, macarrão com peixe, e, mais tarde, até peixe assado.
A antiga estrada de lama fora transformada em estrada de cimento: chão plano, limpo e sem lama. Xiao Yuhe estava de pé diante do corrimão de madeira, observando o rio e a grande embarcação que se aproximava. Era aquela, com certeza. Sua mão, sem perceber, agarrou a túnica de Duan Shubai — ele estava um pouco nervoso.
Duan Shubai ajeitou-lhe a capa sobre os ombros e segurou sua mão, acalmando-o em silêncio.
O barco atracou. Em meio à multidão que se reunia, uma senhora elegante desceu. Parecia ter entre trinta e quarenta anos e tinha feições que lembravam um pouco as de Xiao Yuhe — o mesmo rosto arredondado, gentil, com um ar naturalmente alegre. Tinha uma postura graciosa, usava um vestido vermelho-escuro com padrões discretos e o cabelo preso num coque impecável, revelando uma presença nobre e calma.
Assim que Xiao Yuhe a viu descer, aproximou-se, emocionado, e a chamou com carinho: "Mamãe!"
Duan Shubai a cumprimentou também: "Saudações, sogra."
Ele a observou discretamente. Em sua memória, só a tinha visto de longe uma vez, e naquela época, ela parecia bem diferente — uma grande dama, adornada com joias. Agora, parecia muito mais discreta.
"Meu bom Yuhe." Ma Shuqin o abraçou com ternura. Mãe e filho, separados havia um ano, emocionaram-se no reencontro.
Ela franziu a testa ao ver o grande volume na barriga do filho. "Com essa barriga enorme, como pode ficar aqui na beira do rio pegando vento?"
Apesar da expressão preocupada, o sorriso em seus lábios não se desfazia. Observou Yuhe de cima a baixo. Estava bem alimentado, a pele branca e viçosa — comparado com o tempo em que vivia na residência do marquês, estava até melhor. Talvez, afinal, não tivesse passado por tantos sofrimentos em Yangzhou.
Quando Yuhe partiu com o General Duan Shubai, ela havia ficado profundamente apreensiva. Só depois de receber as cartas dele é que conseguiu sossegar.
Yuhe segurou a mão da mãe e, manhoso, disse: "Mamãe veio, é claro que eu teria que vir recebê-la pessoalmente."
"Você já vai ser pai, ainda age como uma criança mimada."
Ma Shuqin então voltou-se para Duan Shubai, meio testando, meio repreendendo: "E você, não cuida melhor do seu esposo?"
Duan Shubai envolveu a cintura de Yuhe e sorriu: "A senhora veio de tão longe, claro que viemos recebê-la juntos." E acrescentou brincando: "Mesmo que eu quisesse impedir, como eu impediria?"
Yuhe afastou a mão dele, mas acabou se apoiando em seu braço. Ma Shuqin viu os dois trocando olhares carinhosos bem diante dela e ficou ainda mais aliviada.
Antes do casamento, o filho estava relutante. Ela temia que acabasse num casamento sem amor. Mas agora, com a harmonia natural entre eles, era evidente que o afeto era verdadeiro.
Ela sempre se preocupara com o temperamento do filho. Por fora parecia calmo, mas era mimado, teimoso e direto. Se gostava, gostava. Se não gostava, não disfarçava. Nunca soubera bajular ou ser conciliador.
Vinda de uma família de comerciantes onde todos sabiam jogar o jogo social, seu filho era completamente o oposto. Ela gostava da personalidade dele, mas temia que, sendo um shuang'er (homem capaz de engravidar), essa franqueza o ferisse no mundo real. Pensara até em casá-lo com um primo, para poder protegê-lo de perto. Mas então veio o decreto imperial que o mandou se casar com Duan Shubai em Yangzhou, e ela não pôde fazer nada.
"Vendo o quanto vocês se amam, agora estou em paz."
O rosto de Yuhe ficou levemente corado.
Duan Shubai sugeriu: "Sogra, venha conosco de carruagem. Está ventando aqui fora, cuidado para não pegar um resfriado."
"Sim, sim, vamos conversar dentro da carruagem."
O cocheiro trouxe o veículo, e Duan Shubai ajudou Ma Shuqin a subir. Depois, carregou Yuhe nos braços e entrou também. Yuhe soltou um pequeno grito surpreso e, ao lembrar que a mãe estava ali, ficou meio envergonhado.
Ela havia trazido um barco cheio de coisas. Duan Shubai organizou os carregadores para descarregar tudo e acompanharam o grupo de cerca de trinta criados que vieram com ela.
Dentro da carruagem, Ma Shuqin sentou-se no assento principal. Duan Shubai quis repetir o que fizera na viagem de ida — carregar Yuhe no colo para evitar que se sentisse mal com o balanço. Mas desta vez Yuhe recusou com firmeza e insistiu em se sentar sozinho. Duan Shubai acabou cedendo, enchendo o assento de almofadas para ele.
"Assim está bom? Se ficar desconfortável, me avise."
Yuhe, com o rosto corado, balançou a cabeça rapidamente. Só queria que a carruagem começasse a andar logo.
Encostado no braço de Duan Shubai, a carruagem partiu, as rodas rodando suavemente sobre o cimento.
Ah, esse casalzinho...
Ma Shuqin lançou um olhar discreto, contendo o sorriso que ameaçava escapar. Quando viu o cuidado de Duan Shubai com seu filho, entendeu por que o teimoso Yuhe falava tanto do marido nas cartas.
Aquele imperador havia cometido um "erro" ao juntar o casal — mas que erro mais acertado!
Ela olhava para Duan Shubai como uma sogra que observa o genro, e quanto mais olhava, mais gostava.
Alto, imponente, cheio de energia e carisma. Um verdadeiro general. Em comparação com os chamados jovens nobres da capital, seu genro era muito superior.
Tendo vivido em famílias ricas e cheias de regras, Ma Shuqin sentira-se oprimida a vida inteira. Agora, ver o filho feliz ao lado de alguém tão confiável a deixava aliviada.
Ela olhou novamente para a barriga de Yuhe. Um leve brilho de alegria passou por seus olhos — em poucos meses, seria avó. Quem ligava para o título de Marquês de Boyang? Ela não queria mais voltar para aquele lugar.
A carruagem seguia suavemente pela estrada de cimento. Era a primeira vez que Ma Shuqin via um caminho assim, tão plano e limpo. Viajar ali era até mais confortável do que ser carregada em liteira.
De repente, viu alguém passando em duas rodas — um objeto estranho — e ficou intrigada, mas não perguntou.
Como mulher de comerciante casada com um nobre, já fora ridicularizada muitas vezes por não conhecer os costumes da alta sociedade. Aprendeu, com o tempo, a não perguntar demais.
Na carruagem, ela aproveitou para puxar conversa, perguntando como os dois estavam vivendo em Yangzhou, se estavam acostumados, se Yuhe sentia saudade.
"Já me acostumei com a comida."
"É claro que sinto saudade da mamãe."
"Estamos morando em Xinyang. Eu falei sobre isso nas cartas. Mamãe chegou na melhor época — as flores de pessegueiro estão todas desabrochando, está lindo demais."
...
Ma Shuqin sorriu ainda mais ao ouvir isso e bateu palmas: "Aquela ordem imperial foi mesmo certeira. Você e seu marido combinam perfeitamente!"
Duan Shubai e Yuhe se entreolharam, sorrindo. Ao lembrar de tudo o que passaram juntos no último ano, perceberam o quanto haviam sido felizes. A doçura dos momentos compartilhados transbordava agora em seus corações.
"Mamãe, não fale só de mim. E a senhora? Como está indo na mansão do marquês?"
Ma Shuqin suspirou levemente. "O que eu podia fazer? Sozinha por lá, a vida era bem sem graça. Passei a comer menos, a rezar mais... Dias tranquilos."
"Ah?" Yuhe ficou surpreso. Custava a imaginar sua mãe rezando e comendo pouco — ela sempre foi vaidosa, cheia de joias, adorava eventos e festas.
Na verdade, naquele dia, as roupas dela estavam bem mais sóbrias do que o habitual, e ele estranhou um pouco.
"A mamãe está envelhecendo. É hora de cultivar o espírito. Faço três preces por dia, todas pedindo bênçãos para você."
Na realidade, após ter sido repreendida pela velha matriarca do clã — que dizia que ela se vestia como uma mulher vulgar e alegre demais para uma viúva —, Ma Shuqin resolveu "refinar-se" e viver como uma viúva devota.
E não é que deu certo? Os olhares dos outros mudaram. Para ela, esse novo papel de mulher recatada e espiritualizada tinha lá seu charme.
A carruagem finalmente entrou na cidade de Xinyang. Quando desceram, Ma Shuqin ficou maravilhada com o cenário: pessegueiros em flor, casas de madeira elegantes e pétalas caindo como chuva. Um verdadeiro paraíso.
Embora para ela Xinyang ainda parecesse um tanto rústica, a paisagem superava qualquer ponto turístico da capital.
Morar ali seria, de fato, uma alegria.
Naquela noite, os três jantaram juntos. Os pratos tinham sido preparados pelos cozinheiros que Ma Shuqin trouxera consigo — todos os favoritos de Yuhe. Ele comeu emocionado.
Entre risadas e conversas, Ma Shuqin de repente perguntou: "Lá na capital, tenho o costume de ir ao templo nos dias 1º e 15 do mês. Será que aqui tem algum templo famoso?"
Duan Shubai pensou por um instante. "Templo, não. Mas se a senhora gostar, há uma montanha ao sudoeste da cidade. Amanhã mesmo mando construir uma escadaria para o alto e erguer um templo lá."
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