Estou Construindo Nos Tempos Antigos - Capitulo 53



Capítulo 53 – Incidente

Depois do Banquete das Cem Famílias, Duan Shubai organizou para que recolhessem com ordem os restos de comida das mesas. Nada podia ser desperdiçado — se os moradores da cidade não quisessem levar, ele mandaria comprar por um preço simbólico e transformaria tudo em ração de porcos. No final das contas, havia centenas de porcos no criadouro, e se as pessoas comemoravam o Ano Novo com fartura, os porcos também tinham direito a um festim e a um feliz primeiro dia do ano.

Os porcos de Xinyang eram, sem exagero, extremamente felizes — todos robustos e bem alimentados.

Duan Shubai planejava dobrar o tamanho do criadouro neste ano, para garantir que todos pudessem comer carne. A criação de galinhas, patos e peixes também estava nos planos: era hora de investir em produção em larga escala.

Na tarde do primeiro dia do ano, uma plataforma foi montada na praça central de Xinyang. Primeiro, houve lutas de luta livre entre os moradores, arrancando gritos e aplausos da multidão. Depois, o grupo de teatro entrou em cena com seu canto dramático. A peça, claro, era uma adaptação de um dos romances populares que andava fazendo sucesso na cidade — e Yan Li, como sempre, era o consultor especial da trupe.

"Naquela ocasião, o Príncipe Consorte Liu..."

Coincidentemente, o trecho encenado era exatamente aquele que Xiao Yuhe havia lido com tanto gosto dias atrás — a parte do Príncipe Consorte Duan'er. Sentado com Qiu Ran, ele assistia com atenção e se divertia. Ao lado deles, Duan Shubai já se remexia, impaciente. Ele nunca foi de assistir peças. E como Zhang Changle e os outros estavam insistindo para um concurso de bebidas, a vontade de beber fez seu corpo inteiro coçar. Mentalmente, ele já estava abraçado ao barril de vinho.

Duan Shubai agarrou a mão de Xiao Yuhe e fez cócegas na palma, mas Xiao Yuhe, encantado com o espetáculo, nem desviou o olhar. Duan Shubai deu uma risada silenciosa, pegou o copo e bebeu tudo de uma vez.

"Isso que é homem! Mais uma!" — gritaram os soldados animados ao redor.

Logo, Su Gang e os outros também se empolgaram e cercaram Duan Shubai.

"Vamos derrubar o general no copo! Hoje ele não escapa!"

Duan Shubai riu com arrogância e virou outro copo, o que só inflamou ainda mais o clima. Alguém gritou:"Vamos revezar! Se não derrubarmos o general hoje, ninguém dorme!"

"Eu sou o primeiro!"

"Depois de você sou eu!"

"Eu também vou! Eu sou o rei da bebida!"

Entre os mais animados, Fu Qianxi estava especialmente eufórico. Fazia tempo que queria ver Duan Shubai bêbado — hoje era o dia da vingança. Só de imaginar, ficou com o rosto vermelho de empolgação.

"Vão em frente, irmãos! Eu não bebo, mas vou ficar de guarda! Quando derrubarem o general, vou escrever a história: 'Os heróis enfrentam o General Duan'!" — gritou Yan Li, o mestre dos romances populares.

"Isso! Vamos, irmãos!"

"E me escreve como alguém corajoso, hein, Lao Yan!"

Todos esfregavam as mãos, entusiasmados. Era nítido que vinham preparando isso há tempos. Duan Shubai olhou ao redor, incomodado com a conspiração evidente.

"Vocês..."

Eles estavam claramente unindo forças contra ele. Embora não tivesse medo de beber, ser tratado como o chefe final de um jogo, que todos queriam derrotar, era revoltante. Ele não era louco de aceitar esse desafio.

Então, com um brilho nos olhos, puxou Liang Lei, que assistia à peça calmamente, e o empurrou para a frente:"Qual é a graça de me derrubar? O alvo certo é ele! Ele conquistou o coração da linda Tingting e ainda estavam de mãos dadas passeando agora há pouco. Ele é o verdadeiro vencedor da vida! Vamos, pessoal, peguem ele!"

"Entre solteiros como nós, vocês dois são nossos maiores inimigos!"

"Exato! Nenhum dos dois escapa! Um de cada vez!"

Assim começou uma verdadeira batalha de bebidas. O barulho, as risadas e o som dos copos ecoavam pela praça — as jarras de vinho esvaziavam uma após a outra.

Enquanto isso, em um canto escuro, um par de olhos observava tudo. Após um instante, sumiu silenciosamente nas sombras.

Duan Shubai tomou mais um gole de vinho. Depois olhou para aquele canto e, ao engolir o líquido, seu lábio se curvou, formando um leve sorriso frio.

O movimentado primeiro dia do ano passou, mas o clima de festa permaneceu em Xinyang até o Festival das Lanternas — e nesse dia, a alegria atingiu seu auge.

Na praça central, caldeirões enormes ferviam água com gengibre e açúcar mascavo. O líquido dourado borbulhava com um perfume adocicado e picante que espantava o frio da cidade.

Bolinhas de arroz com recheios de gergelim, amendoim ou feijão doce cozinhavam em água fervente antes de serem mergulhadas na calda de gengibre. As pelotinhas brancas flutuando no caldo eram uma tentação.

Duan Shubai ordenou que servissem as bolinhas o dia inteiro. Todos podiam pegar uma tigela — para garantir que todos tivessem um ano novo redondinho e cheio de união.

Logo pela manhã, uma multidão correu até a praça. Comer juntos era muito mais gostoso que sozinho em casa.

No palco ainda se cantava e encenava. No chão, todos com tigelas nas mãos, comendo felizes. A praça fervia como os caldeirões.

Depois de comer, era hora de fazer as lanternas de lótus com as próprias mãos. O General Duan exigiu: só valia fazer um pedido ao céu com uma lanterna que você mesmo tivesse montado.

Duan Shubai dobrava a base da lanterna com papel grosso, colando pétala por pétala. Suas mãos grandes dificultavam a tarefa e, de repente, crac! — lá se ia mais uma lanterna.

"..."

Era a oitava que ele estragava, e sua paciência já estava acabando.

Ao lado, Xiao Yuhe segurava uma tigela de bolinhas e ria baixinho. Com uma colher, ofereceu uma ao general. Duan Shubai mordeu a colher direto, levando consigo a bolinha gordinha. Olhando para seu próprio "bolinho gordinho" ao lado, o mau humor até diminuiu. Ele pegou outro kit de papel e recomeçou.

Vendo a persistência dele, Xiao Yuhe riu mais ainda e lhe entregou outra tigela.

"Come mais uma antes de continuar."

Duan Shubai aceitou. Sem usar colher, bebeu da tigela de uma vez, como se fosse vinho — cinco bolinhas de uma só vez. Realmente viril.

Depois disso, ele voltou ao trabalho, determinado. Xiao Yuhe, divertido, tirou algumas de suas próprias lanternas — todas lindas — e as colocou diante do general.

"Para de sofrer. Escolhe uma das minhas."

Duan Shubai respirou fundo e respondeu com seriedade:"Quero fazer meu pedido com uma lanterna feita por mim mesmo. Só assim será sincero."

Xiao Yuhe apoiou o rosto na mão:"Somos casados. Eu fazer é o mesmo que você fazer."

Duan Shubai ergueu os olhos, apertando-os:"Yuhe, fico feliz com suas palavras. Mas será que dá pra você guardar esse sorriso irritante?"

"Hum-hum." Xiao Yuhe fingiu tossir e fez uma cara séria.

"..."
Duan Shubai baixou a cabeça, começando seu nono modelo.

"Eu não aceito perder! Vou fazer uma lanterna linda! E você, como um esposo carinhoso, deve ficar quieto torcendo por mim."

Xiao Yuhe riu e assentiu:"Claro, não digo mais nada. Sou um marido perfeito."

Duan Shubai assentiu, cheio de solenidade.

E... o nono modelo também falhou.

"..."

Xiao Yuhe riu, mas logo se conteve, tapando a boca.

As lanternas lindas dele ainda estavam ali, bem na frente do marido.

Com um sorriso sereno, Xiao Yuhe disse:"Marido, deixa que eu te ensino."

Duan Shubai suspirou profundamente:"Vou contar com você então."

Com a ajuda dele, Duan Shubai finalmente conseguiu montar uma lanterna — feia, mas funcional.

No fim da tarde, os dois, com suas lanternas prontas, se juntaram ao povo de Xinyang. Soldados armados abriam caminho. A cidade inteira se dirigia ao rio para soltar as lanternas com os pedidos.

"Por que sua lanterna tá assim?"

"Olha o tamanho dessa pétala!"

"Você fez errado."

"Errado é o seu!"

Mil pessoas, mil modelos diferentes. Embora todos tivessem usado a mesma técnica, as diferenças eram gritantes. Alguns, tímidos com suas lanternas deformadas, escondiam-nas em panos. Mas ao verem o modelo do general... todos relaxaram.

Se até o general fez uma feia, por que se envergonhar?

Inclusive, os "feios" criaram seu próprio grupinho animado.

"Ai, que linda a lanterna do general! Como faz uma igual?"

"Melhor que a minha, com certeza."

"Passei a tarde toda pra conseguir isso aqui."

"General é demais!"

Duan Shubai suava frio:"..."

— Podem elogiar minha caligrafia, mas o resto... esqueçam.

A multidão marchou alegre até o rio.

E no alto da colina, sombras espreitavam. Um grupo de pessoas vestidas de preto sinalizou e o líder retirou o véu.

"Vamos. É hora de se unir ao grupo do Heimao."

Eles carregavam potes de óleo e tochas.
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