Estou Construindo Nos Tempos Antigos - Capitulo 51



Capitulo 51 - Ano Novo

Na véspera do Ano Novo, o céu estava limpo e nem mesmo o vento gelado conseguia conter a alegria que transbordava por toda parte. Milhares de lares estavam imersos na agitação das comemorações: limpando a casa, preparando o jantar da virada... Duan Shubai liberou todos os soldados sob seu comando para o feriado — com exceção dos poucos azarados que tiraram a guarda de patrulha naquela noite. Ainda havia guardas postados nos quatro cantos da cidade, circulando pelas ruas. Envoltos em capas grossas, esfregavam as mãos e soltavam baforadas de vapor branco.

Um dos guardas, alto e magro, caminhava pelas ruas decoradas com lanternas vermelhas. As chamas dentro delas tremulavam, refletindo-se nos olhos dele como pequenas labaredas. Na noite fria, cercado pela iluminação vibrante e festiva, até ele não pôde deixar de sorrir levemente com os olhos.

O cheiro de comida se espalhava de cada casa — especialmente o aroma defumado da carne seca e as linguiças feitas na casa da senhora Wang, que sempre eram as mais saborosas. O guarda, encantado pelos cheiros, não resistiu e tirou do peito um embrulho de papel-óleo. Era a refeição especial de plantão, preparada a mando do general para aqueles que estavam de serviço. Ele ainda nem tinha aberto o pacote, mas o aroma já o fazia salivar.

Dentro havia um suculento pé de porco em conserva, com um cheiro tão sedutor que parecia uma bela mulher dançando provocativamente à sua frente, despertando todos os seus sentidos. A textura macia parecia derreter na boca, e só de imaginar, ele já sentia a língua formigar.

Por um instante, ele pensou que só o cheiro já seria o suficiente para matar a fome.

"Aposto que o velho Zhang e os outros lá no alojamento já estão reunidos fazendo festa..." suspirou. "Que sorte a deles. E eu aqui, trabalhando na virada do ano. Será que pelo menos vão guardar um pouco de vinho pra mim? ...Hmm, mas esse pé de porco está uma delícia..."

Enquanto isso, Duan Shubai descia as escadas segurando Xiao Yuhe no colo. No andar de baixo, a mesa do jantar de Ano Novo já estava posta com mais de vinte pratos — uma fartura que impressionava só de olhar. Havia pratos com nomes poéticos, como "Dragão Dourado e Fênix de Jade", "Jade e Coral", mas o que mais chamava atenção era o "Carpa Pulando o Portal do Dragão", bem no centro.

Xiao Yuhe se soltou do colo de Duan Shubai e correu para se sentar à mesa. Duan Shubai sentou ao lado, mas era óbvio que apenas os dois não dariam conta de toda aquela comida. Além disso, jantar de Ano Novo só entre duas pessoas parecia meio solitário. Então, o casal chamou os criados da casa para se juntarem a eles, e juntos aproveitaram um jantar alegre e cheio de calor humano.

Após a refeição, começaram os fogos de artifício em um canto da cidade.

Duan Shubai ajudou Xiao Yuhe a sair para vê-los juntos.

Para evitar incêndios, ele havia ordenado que todos os fogos fossem disparados fora dos muros da cidade, em áreas seguras, mas de onde todos pudessem ver. Do nordeste de Xinyang, subiam foguetes com estalos contínuos. No céu escuro, explosões prateadas brilhavam como constelações, estrelas cintilantes despencando do céu.

Muitas famílias saíram para assistir, e logo se ouviam as palmas e gargalhadas das crianças:"Pai! Mãe! Olha, uma estrela caiu do céu!"

Estrelas de prata no alto, velas vermelhas no chão.

Duan Shubai, sem conseguir evitar, virou-se para olhar Xiao Yuhe ao seu lado. O clarão dos fogos iluminava aquele rosto delicado, seus olhos brilhavam como se contivessem uma galáxia inteira. Um sorriso involuntário surgiu nos lábios de Duan Shubai. A felicidade, o carinho, a plenitude... tudo transbordava do peito. Era o primeiro Ano Novo que passavam juntos.

E, com certeza, o primeiro de muitos.

Depois dos fogos, os dois voltaram para dentro, fizeram sua higiene e se deitaram juntos na cama com dossel, debaixo do mesmo cobertor. A barriga de Xiao Yuhe já estava bem grande, e Duan Shubai, como de costume, começou a conversar com o bebê ainda não nascido:"Hoje é o último dia do ano. Toda a cidade está enfeitada com lanternas vermelhas... O jantar estava uma delícia. Havia o seu prato favorito, será? Aposto que você vai adorar tofu com fios dourados. Não se preocupe, o papai não vai esquecer."

Ele fez uma pausa, sorrindo:"O papai e o pai acabaram de te levar pra ver os fogos. Gostou? Se gostou, dá um chutezinho na mão do pai, vai."

Duan Shubai encostou a mão na barriga, mas não sentiu nenhuma reação. Só o subir e descer da respiração de Xiao Yuhe.

Xiao Yuhe resmungou baixinho.

Duan Shubai caiu na risada:"Entendi, entendi. Você gostou sim. Tudo bem. Ano que vem, quando você nascer, vamos te levar para ver de novo..."

Xiao Yuhe ficou em silêncio.

O bebê não se mexeu, e ele teve que aceitar a "resposta" por pura dedução.

Duan Shubai, por outro lado, estava se divertindo sozinho com aquilo.

"Bobo." pensou Xiao Yuhe, com os lábios curvados num sorriso discreto. Seu olhar estava cheio de ternura. Os olhos de raposa se erguiam num arco suave. Os cabelos pretos e brilhantes caíam sobre os ombros. Virando-se de lado, ele olhou para o marido com um olhar cheio de afeto.

Quando Duan Shubai terminou de conversar com o bebê, abraçou Xiao Yuhe com carinho, pronto para dormir. Fechou os olhos, mas o coração ainda estava acelerado — o clima festivo o deixara agitado demais para adormecer.

Xiao Yuhe também não estava com sono.

"O que você está fazendo?" Duan Shubai abriu os olhos de repente e pegou a mão de Xiao Yuhe, que estava traçando linhas suaves com o dedo indicador no seu peito, como uma pena provocando no ponto mais sensível.

Desde que soube da gravidez, Duan Shubai tinha se contido. Não tinham tido mais intimidade desde então. Mas agora, com aquele corpo perfumado e amado ao seu lado, era impossível não reagir.

Xiao Yuhe não respondeu. Só se aconchegou ainda mais, soltando pequenos sons manhosos.

Duan Shubai sentiu a mão descendo por sua cintura até alcançar um ponto perigoso. Ele inspirou fundo.

"Esse pequeno danado..."

Antes que Xiao Yuhe pudesse ir mais longe, foi puxado e ficou por baixo do marido.

Duan Shubai se aproximou com cuidado, tomando cuidado com a barriga dele.

"No meio do Ano Novo... você faz o marido pegar fogo desse jeito. Quer dormir ou não?" Duan Shubai murmurou, entre dentes.

Xiao Yuhe abriu os olhos grandes, inocentes:"Eu só... não consigo dormir."

Duan Shubai respirou fundo. Ignorou os impulsos, cobriu os dois direitinho e respondeu com a cara fechada:"Se não consegue dormir, então deixa que eu te conto uma história."

Ele começou:"Era uma vez, no alto da montanha, uma montanha. Na montanha tinha um templo, no templo um velho monge e um jovem monge. O velho contava uma história para o jovem. E a história era... sobre uma montanha, onde havia um templo..."

Ele fechou os olhos com força, repetindo aquilo como um mantra.

O quarto estava em silêncio, exceto pela voz dele contando a história sem fim.

Depois de um tempo, ele abriu os olhos e encontrou os de Xiao Yuhe, cheios de riso.

"Continua. Por que parou?" disse Xiao Yuhe, provocando.

"Eu..." Duan Shubai tentou manter os olhos fechados. Mas mesmo assim, só conseguia ver aqueles olhos encantadores. Era como se estivesse num conto de fantasmas sedutores, completamente à mercê de um espírito provocante.

"Meu amor..." suspirou, derrotado."O que você quer de mim? Está se divertindo com o meu desespero?"

Xiao Yuhe riu, encostando o rosto no ombro dele. Com a respiração quente e suave, sussurrou:"Eu não quero nada. Só..."ele hesitou, voz trêmula. "Minha barriga já está estável. Coloca um travesseiro debaixo da minha cintura..."

Duan Shubai sentiu como se um raio tivesse atravessado sua mente. O calor subiu direto à cabeça. O ambiente ficou pesado, íntimo. A respiração dos dois se misturava.

Com um gesto suave, ele pegou Xiao Yuhe nos braços, colocou o travesseiro no lugar certo, e quando as pernas longas se esticaram, a cama começou a balançar suavemente.

O som de Xiao Yuhe ficou mais suave e manhoso, como se o corpo estivesse transbordando.

Duan Shubai se conteve por causa da gravidez. Só aliviou um pouco da tensão e, quando terminaram, limpou tudo cuidadosamente com água quente.

Já era madrugada do primeiro dia do novo ano.

Xiao Yuhe, exausto, adormeceu. Duan tirou as roupas, entrou debaixo das cobertas, beijou entre as sobrancelhas dele e sussurrou:"Feliz Ano Novo, meu Yuhe."

Ao amanhecer, já se ouviam os sons animados do lado de fora: tambores, flautas, gongos. Logo depois, começaram os desfiles de dança do dragão e do leão pelas ruas principais de Xinyang. Três leões — um vermelho vivo, outro laranja, e um amarelo claro — davam saltos, giros e pulos ágeis, hipnotizando a multidão.

O público crescia a cada minuto. Crianças riam, adultos batiam palmas. Todos estavam tomados pela energia festiva.

Depois da apresentação, as ruas ficaram cobertas de confetes vermelhos. Os moradores abriram as portas, colocaram mesas nas calçadas e começaram a trazer pratos e mais pratos de comida.

Duan Shubai já havia mandado avisar: ao meio-dia, no primeiro dia do ano, a cidade de Xinyang realizaria um grande Banquete das Cem Famílias.

Cada casa deveria preparar uma mesa de comidas para colocar na rua. Quando o sino soasse, milhares de cidadãos começariam a celebrar juntos o novo ano, numa grande festa coletiva.
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