Estou Construindo Nos Tempos Antigos - Capitulo 52


Capitulo 52 - Criando um festival

Uma cidade, para realmente ser considerada uma cidade, precisa ter sua própria cultura urbana — coisas que sejam amplamente reconhecidas por todos. Atividades vividas coletivamente permanecerão para sempre na memória das pessoas, tornando-se lembranças que jamais se apagarão.

O senso de ritual é algo que todos, em maior ou menor grau, almejam em seus corações. Participar juntos de algo, lutar e se esforçar por um mesmo objetivo, cria o conceito de "coletivo", fortalecendo imensamente a coesão de todos.

Na ampla avenida, mesas e cadeiras já estavam dispostas. Pratos dos mais diversos — refinados, rústicos, elegantes — se estendiam ao longo das mesas. Mingau fumegante de peixe e camarão ainda soltava vapor; rolinhos primavera nas cestas de bambu exalavam uma leve doçura; o peixe agridoce recém-saído da panela recebeu a última camada de molho; o aroma intenso da carne em conserva despertava todos os sentidos.

As estrelas-de-anis misturadas com pimenta vermelha deixavam apenas um dulçor tentador. Uma porção de cominho foi polvilhada sobre carne de cervo grelhada que chiava na chapa. Carne de porco envolta em amido, frita em óleo quente, ficava crocante por fora e macia por dentro. Alface, lavada cuidadosamente, fervida por instantes em água salgada, adquiria um verde mais vibrante, disposta depois em pratos de porcelana branca e regada com um molho já preparado — crocante e refrescante, extremamente apetitoso.

"Como você fez esse prato aí?"

"Esse? É sopa de tofu."

"Ah, então foi por isso que nos últimos dias a sua janela exalava um aroma tão especial. Vocês ainda fizeram aqueles pãezinhos em forma de lanternas vermelhas e os colocaram na frente da loja — chamaram muita atenção!"

A cidade estava fervilhando. Pratos deliciosos vindos de centenas de lares surgiam sem parar. As pessoas temiam apenas que seus estômagos não fossem grandes o suficiente para provar toda a diversidade de iguarias. Durante todo o meio-dia, havia comida em abundância, e todos repetiam: "Quem tiver os pratos mais disputados terá uma sorte imensa neste ano."

Homens e mulheres piedosos puxavam os transeuntes para a frente de suas casas, tentando de tudo para atrair mais "deuses da fortuna" para provar seus pratos.

"Vem experimentar o meu! Minha comida é uma delícia!"

"Prova meu pão recheado! Minha esposa faz isso há mais de dez anos!"

"Meu molho é ainda mais saboroso!"

"..."

Na busca por esse sinal de boa sorte, a comparação começou. Um velho, que havia perdido o prestígio no primeiro banquete coletivo, praticou suas habilidades culinárias por dez anos e, eventualmente, fundou o famoso restaurante "Zhenweixuan" (Sabor Precioso), que se perpetuou por séculos — uma história contada como lenda.

Assim, o costume do Banquete das Cem Famílias foi preservado ao longo dos anos.

Além desse senhor, todos almejavam aquela boa sorte, o que fez com que cada família de Xinyang se dedicasse a dominar a arte da culinária. Posteriormente, visitantes de outras regiões vinham à cidade, e ao provar uma refeição simples na casa de um morador, exclamavam admirados: "Nunca comi algo tão delicioso em toda minha vida!" — ao que o anfitrião respondia: "A minha comida é a pior dessa rua." O visitante inicialmente não acreditava, mas depois de comer por toda a cidade, percebeu que era verdade...

Moradores treinavam suas habilidades desde pequenos — crianças de seis, sete anos, já sabiam preparar excelentes pratos.

Esta é a cidade dos sabores.

Na casa de Duan Shubai também havia uma mesa repleta de iguarias.

"Vamos! Vamos até a casa do general comer ravioli. Ouvi dizer que foi o general e sua esposa que os prepararam!"

"Ravioli feito pelo general! Isso eu preciso experimentar, para trazer boa sorte!"

Duan Shubai já havia previsto toda essa agitação. Ele, Xiao Yuhe e os empregados da casa haviam preparado mais de mil raviolis, cozidos ou no vapor, prontos para que todos pudessem saborear.

Ma Xiaoliu, agora um homem renovado, se esgueirou por entre a multidão e conseguiu pegar quatro raviolis, que entregou à sua esposa grávida, Zhang Lihua:"Querida, prova só. Esses foram feitos pelo general e sua esposa!"

Zhang Lihua, com os cabelos amarrados, sorriu. Pegou os pauzinhos, mordeu um ravioli — estava duro. Quando olhou dentro, viu uma moeda de cobre. Radiante, exclamou:"Tem uma moeda aqui! Isso é sinal de sorte!"

"Temos que guardar essa moeda e passá-la para o nosso filho no futuro."

O casal partiu, sorrindo de alegria.

"A colheita do ano passado foi a melhor que vi em toda a minha vida!"

"Há quantos anos Yangzhou não vivia um momento tão festivo?"

"Tudo graças ao nosso general!"

"Desde que Duan Jiangjun chegou, temos tido fartura e prosperidade. Nosso general deve ser um enviado dos céus! Ai, preciso comer mais alguns raviolis para garantir mais sorte!"

"Ei, Li! Me dá aquela moeda que você encontrou!"

"Tsc! Sonha!"

O banquete começou. Duan Shubai acompanhava Xiao Yuhe, que estava grávido, pela avenida principal, parando onde ele quisesse comer. Os moradores olhavam ansiosamente, esperando que o casal parasse à frente de suas casas — se isso acontecesse, seria motivo de orgulho por muitos anos.

"Lembra? Foi na minha casa que o general comeu da minha comida com as próprias mãos!"

Xiao Yuhe parou diante de uma mesa. Duan Shubai pegou um prato e serviu um pedaço de panqueca quente. Provou primeiro, depois alimentou Xiao Yuhe com os pauzinhos. Yuhe provou e, com os olhos brilhando, elogiou:"Delicioso."

Duan Shubai, vendo sua alegria, sorriu também.

O homem que havia preparado a panqueca, vindo da província de Jianzhou, ficou honrado com o elogio do casal. A panqueca, recheada com banana, se tornaria famosa, e ele acabaria abrindo uma loja em Xinyang — que, assim como o "Zhenweixuan", permaneceria por séculos.

Com a barriga já visivelmente arredondada, Xiao Yuhe observava para todos os lados — era sua primeira vez vendo uma festividade assim. A cidade toda em vermelho, as ruas cheias de vida, e ele não conseguia conter o sorriso.

Duan Shubai o levou mais adiante — passando por bairros residenciais e pelos dormitórios dos soldados.

Ali, as mesas também estavam montadas. Alguns soldados corriam aflitos de um lado para o outro.

"Que problema, viu..."

"O general nos fez preparar uma mesa de pratos por dormitório! Eu nem sei cozinhar arroz, quanto mais fazer um prato!"

"Onde está o Lao Niu?"

"Ele e um bando de recrutas já pegaram suas tigelas e foram se enfiar no meio da multidão pra comer de graça!"

"E só sobramos nós dois aqui! Vamos largar tudo e ir comer também?"

"E deixar nossa mesa incompleta? Se formos os piores, o castigo é passar a véspera do Ano Novo em vigília!"

"Meu deus, melhor tentar pelo menos. Olha ali — tem gente contando milho queimado como prato! Vamos copiar?"

Enquanto isso, Liang Feng, sentado balançando as pernas, bufava em desaprovação. Sendo o cozinheiro mais habilidoso entre os soldados, ele sozinho preparou uma mesa inteira com pratos de alta qualidade.

Nenhum deles continha carne de porco!

Especialmente não carne de javali!

Liu Dong, aquele brutamontes, queria que ele fizesse um "banquete do javali"! Liang Feng, de olhos fechados, batia na mesa. Fazer um banquete com carne de javali? Nunca.

Jiang Bai, observando, deu um tapinha no ombro de Zhi Yongjun e comentou:"Olha só o quanto ele ainda sente falta delas... Nem consegue matar um porquinho."

Zhi Yongjun assentiu e riu:"Se eu tivesse passado o que ele passou, também não teria coragem."

Liang Feng cerrava os dentes. Eles achavam que ele era surdo?

Seu irmão ingrato estava por aí passeando com a futura cunhada Tingting, e ele ali, sozinho — isso sim é sofrimento!

Zhang Changle, com um bolha na mão, reclamava:"O que deu no general de mandar a gente cozinhar?"

"Pois é, nem sabemos cozinhar!"

"Só pode ter sonhado com isso!"

Duan Shubai, com ouvidos atentos, escutou o lamento. Pediu a Qiu Ran que cuidasse de Xiao Yuhe, e foi até eles:"O que vocês estão falando de mim aí?"

Zhang Changle ficou sério na hora:"Nada, general! Nada!"

Duan Shubai olhou com ar de quem sabia e deu um olhar ameaçador.

Cuide-se!

Sorrindo misteriosamente, colocou o braço sobre o ombro de seu subordinado e, chamando outros para perto, falou com tom de irmão mais velho:"Mandar vocês aprenderem a cozinhar é para o próprio bem de vocês. Olha, na tropa, a maioria está solteiro. Se souberem cozinhar, ganham uns pontos a mais na hora de arranjar esposa. Olha pra mim! Eu também faço sopa pra minha esposa..."

"Fazer comida para quem você ama... é uma sensação diferente. Querem saber como? Deixa eu contar direitinho..."

"E hoje a gente tem tempo..."

A aula do General Duan começou.

Zhang Changle: "..."

Jiang Bai: "..."

Zhi Yongjun: "..."

Vocês esqueceram como era o alojamento naquela época? Eles não esqueceram, não...

Liang Feng correu até eles:"General! Vem provar minha comida!"

Zhang Changle e os outros logo reforçaram:"Sim, sim! Vamos provar o prato do Xiao Fengzi!"

"Isso! Tem até carne de porco!"

"Sim! A carne de porco do Liang Feng é famosa!"

Liang Feng gritou:"O quê?! Se tiver um prato de carne de porco aí, eu passo a me chamar igual a vocês!"

Duan Shubai deu tapinhas solidários no ombro do rapaz.

Atrás, Xiao Yuhe não se aguentava de tanto rir.

"Que cheiro é esse? Ah, é pimenta frita no óleo."

"O molho dessa casa é excelente."

As longas mesas do banquete coletivo estavam todas prontas, alinhadas sob as lanternas vermelhas penduradas nos pessegueiros da estrada. A animada festa do banquete das cem famílias havia oficialmente começado.

Passeando tranquilamente pela avenida, com prato e pauzinhos na mão, todos escolhiam os pratos conforme seus gostos — comendo até não poder mais, celebrando a cidade, a colheita, e a união.

As lojas de Xinyang também não ficaram para trás. Nas tavernas, potes de vinho eram servidos aos visitantes. Nas confeitarias, doces em forma de coelhinhos e flores de lótus encantavam os olhos e o paladar. Um pouco adiante, peixarias assavam seus peixes sobre carvão — o cheiro fazia qualquer um parar.
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