Estou Construindo Nos Tempos Antigos - Capitulo 50
Capitulo 50 - Orgulho
Duan Shubai estava parado na neve com uma expressão de quem queria falar, mas hesitava. Quando Xiao Yuhe viu seu rosto, abriu um sorriso radiante e o apressou:"Vai logo, meu marido! Eu e o bebê estamos esperando para ver o boneco de neve que você vai fazer!"
"Certo." Duan Shubai fechou os olhos, como se estivesse se jogando num abismo, e arregaçou as mangas. Com mãos ágeis, começou a rolar bolas de neve no chão e as empilhou rapidamente.
"O que você está fazendo aí?" Xiao Yuhe olhou curioso para a pilha de bolas de neve e perguntou, hesitante: "Você está fazendo... eu de novo?"
Duan Shubai pensou: "Eu é que não me atrevo a fazer você."
Mas ao olhar para aquela pilha de bolas redondas, com uma expressão um tanto estranha, ele acabou admitindo para si mesmo: "Se disser que parece com o Yuhe... até que faz sentido."
"Eu fiz um autêntico espeto de tanghulu de neve!"
"Tanghulu?" Xiao Yuhe ficou surpreso e logo caiu na risada. "Você já não tinha modelado uma estatueta de barro parecida comigo? Por que não fez um boneco de neve com a minha aparência?"
Duan Shubai sacudiu a neve das mãos e respondeu com um sorriso ao virar-se: "Se eu fizesse um boneco igual a você, meu querido esposo ia ficar tão bravo que me atacaria com bolas de neve."
"Hmph, ao menos você sabe o seu lugar."
Depois de secar as mãos, Duan Shubai voltou e ficou ao lado de Xiao Yuhe, que, mesmo com um humor um pouco temperamental, aceitou dar mais uma volta com ele. Talvez fosse o passeio, ou talvez o cenário nevado, mas Yuhe estava de ótimo humor ao voltar ao chalé. Com inspiração artística, postou-se à janela do escritório e começou a desenhar a paisagem de neve lá fora.
Duan Shubai moeu a tinta pessoalmente. Xiao Yuhe mergulhou o pincel e, com poucos traços, esboçou uma bela paisagem nevada. Quando terminou, não resistiu a admirar sua obra com satisfação, claramente encantado. Duan Shubai, ao ver o desenho, suspirou sem querer.
"Por que você está suspirando?"
Duan Shubai tossiu. "É que eu estou lamentando pelo nosso filho."
Xiao Yuhe: "?????"
Duan Shubai fingiu melancolia. "É uma pena aquela nossa 'relíquia de família' ter sido destruída. Nosso filho nunca vai ter a chance de vê-la."
"!!!"
Xiao Yuhe lembrou imediatamente de como a tal "relíquia" foi arruinada: foi quando Duan Shubai o pressionou na cama para "discutirem" como ter filhos. No calor do momento, um certo líquido foi parar justamente sobre uma folha de papel branco... Ao lembrar disso, Xiao Yuhe corou intensamente. Duan Shubai, ao ver a agitação do marido, ficou em pânico e se amaldiçoou por ter falado demais. Será que ele ainda é alguém que posso provocar desse jeito?!
Rapidamente, ele o abraçou e tentou confortá-lo: "Tá bom, tá bom, foi mal. Pode bater, xingar ou até morder. Eu aceito tudo."
"Eu não vou te bater nem te xingar, mas você tem que prometer que nunca mais vai mencionar isso."
Duan Shubai fechou os olhos e jurou: "Tá bom, tá bom. Eu prometo solenemente que nunca mais falo disso na sua frente. Se eu quebrar essa promessa, viro um casco de tartaruga!" Apesar do juramento firme, ele escapou pela tangente — prometeu não falar na frente dele, mas e na frente dos outros? Hehehe...
Ele espiou Yuhe de canto de olho. Será que meu fofinho vai perceber esse detalhe?
Talvez o ditado "grávida fica três anos boba" fosse mesmo verdade. Xiao Yuhe apenas olhou de relance para o papel e os pincéis sobre a mesa e, curiosamente, não apontou o problema na frase dele. "Se você mencionar isso de novo, não vou perdoar fácil. Hmph, aliás, agora mesmo eu não vou perdoar."
Xiao Yuhe fez um gesto com o dedo. "Vem aqui."
"O quê?"
"Traga seu rosto mais perto."
Duan Shubai hesitou, mas cuidadosamente aproximou seu belo rosto das mãos de Yuhe. Este, com um sorriso malicioso, segurou-lhe o rosto com entusiasmo e começou a desenhar ali mesmo com o pincel. Duan Shubai se contorcia, achando cócegas com as cerdas passando por sua pele.
"Você já terminou?"
"Ainda não. Espere um pouco."
Depois que Yuhe terminou seu segundo desenho, bateu palmas satisfeito. "Desenhei uma tartaruga no seu rosto. Assim, se você quebrar a promessa, já está marcado."
Xiao Yuhe pensou: "Quer se beneficiar primeiro e depois se safar? Nada disso."
Duan Shubai, agora com o rosto cheio de tinta, ficou sem palavras. Que lógica é essa? Desenhar uma tartaruga antes de eu quebrar o juramento? Isso quer dizer que eu posso quebrar, então? Mas, nesse caso, pra quê a promessa?!
Após o fim da neve e com o vento mais calmo, vieram dias seguidos de sol suave de inverno. A leve camada de neve começou a derreter. A luz clara e delicada pousava sobre os ombros das pessoas, aquecendo muito lentamente. Em Yangzhou, só nevava duas ou três vezes por ano, e quando a neve derretia, parecia que nunca esteve ali. A única lembrança de sua passagem eram as hortaliças do campo — flores de nabo brincadas pela neve que perderam o amargor e ficaram com um sabor adocicado no coração.
"Qiuran, você não ia tomar sol lá fora? Por que voltou tão rápido?" perguntou Xiao Yuhe, confuso. A luz do sol tinha acabado de ficar mais intensa, e Qiuran saiu empolgado. Mas logo voltou para dentro.
Qiuran encolheu os ombros, abraçado. "Jovem mestre, o sol lá fora está muito frio."
Xiao Yuhe riu, quebrando nozes com um pequeno qilin de madeira. E olhou pela janela. Não muito longe, as árvores de pessegueiro já estavam decoradas com lanternas vermelhas. Seu marido havia decidido celebrar o Ano Novo com toda a cidade. Já estavam penduradas centenas de lanternas sob os beirais dos chalés e nas árvores da rua, todas organizadas em perfeito alinhamento. Além das lanternas, fitas vermelhas foram amarradas nos galhos, enfeitando o inverno desfolhado com uma alegria vibrante.
Graças ao bom planejamento de Duan Shubai, os caminhos entre os chalés eram largos e ladeados por árvores como pessegueiros, ginkgos e macieiras. Cada morador também plantou as árvores que mais gostava — pereiras, tamareiras, ameixeiras, etc. Apesar do frio, algumas árvores continuavam verdes, e folhas esmeralda ainda pendiam solitárias nos galhos.
As flores-da-longevidade na esquina do muro desafiavam o vento gelado, abrindo seus botões coloridos em segredo.
Na véspera do Ano Novo, Duan Shubai estava distribuindo pessoalmente os dísticos de primavera e folhas de papel vermelho. Além disso, em cada porta ele pendurava uma guirlanda de pimentas vermelhas que havia preparado — um presente especial do general para a cidade. Os dísticos eram compostos por frases criadas por vários letrados, liderados pelo Sr. Shi. Depois, todos que sabiam caligrafia desceram a escrever dezenas de pares, suando para produzir dísticos suficientes para todas as famílias da cidade.
O Sr. Shi, entusiasmado, escreveu vários. Sua caligrafia era de alto nível — firme, elegante e única — verdadeiras relíquias. Ele entregou vários a Duan Shubai, e os restantes foram disputados ferozmente por Fu Qianxi e os outros.
"Esse aqui é meu!"
"Não, é meu! O Sr. Shi prometeu pra mim..."
As discussões entre letrados eram sempre caóticas, cheias de citações, elegantes nos termos, mas basicamente uma briga de feira. Zhang Changle piscava os olhos, admirado com aquele "bate-boca erudito" que mais parecia uma comédia.
Ele próprio foi forçado a escrever dezenas de dísticos, até quase perder o movimento das mãos.
Duan Shubai, animado, escreveu mais de uma dezena e se aproximou de Zhang Changle com um sorriso orgulhoso, dando tapinhas no ombro do vice-general.
"Por que esse suspiro? Vamos distribuir os dísticos comigo!"
Zhang Changle olhou para o rosto entusiasmado de Duan Shubai... e já nem sabia mais que expressão usar.
Aos olhos dos estudiosos, as caligrafias do Sr. Shi eram preciosas, mas para os moradores da cidade, as de Duan Shubai eram objeto de verdadeira adoração. Dísticos escritos por ele eram instantaneamente disputados.
"A caligrafia do general é maravilhosa!"
"O General Duan é um mestre nas artes marciais e nas letras!"
Zhang Changle: "Mas a minha caligrafia é mais bonita..."
Duan Shubai saiu com os dísticos e foi logo cercado por uma multidão. Mesmo que não conseguissem os escritos diretamente, só de receber algo que ele tocou, já estavam contentes.
Ele gritou:"Vou distribuir casa por casa! Não atrapalhem, fiquem tranquilos, tem pra todo mundo!"
"General! Comece por aqui!"
"Não, por aqui!!!"
...
Depois de dar a volta, os dísticos acabaram. Mas ele voltou com uma porção de pequenos presentes — mimos entregues pelos moradores. Ele os examinou por cima e viu algumas belas recortes de papel, claramente feitos por mãos habilidosas. Pegou uma com a imagem da primavera e decidiu colar na janela quando voltasse.
Ao encontrar-se com Xiao Yuhe, Duan Shubai não resistiu a se gabar:"Você tem ideia de como seu marido é disputado lá fora?"
"Disputado como?"
Ele não conseguiu conter o sorriso orgulhoso. Dua Shubai não podia ser culpado por estar tão cheio de si naquele dia. Depois de anos sendo ridicularizado pela letra feia, agora era aclamado com elogios sem fim. Ele tinha que aproveitar!
"É tão disputado quanto se possa imaginar! Você precisava ver a animação deles ao meu redor..."
Xiao Yuhe o provocou, sorrindo: "Você tem certeza de que eles gostam da sua letra? E se você não fosse um general...?"
"Ei!" Duan Shubai interrompeu com um gesto, abanando a mão diante dele. "Nada de e se! Eu sou o general deles, o senhor de toda a Cidade de Xinyang!"
Com essa declaração orgulhosa, ele tirou as botas com certa malandragem, mostrando que não se importava com os detalhes. O que ele queria mesmo era o sabor do elogio. A razão? Que se dane.
Ele era um homem muito lúcido, afinal!
Duan Shubai serviu-se de chá com elegância, bebendo com olhos brilhantes e cheio de si.
Desde que soube da gravidez de Yuhe, ele raramente bebia álcool na frente dele.
Xiao Yuhe cruzou os braços e olhou de lado para aquela cena de puro orgulho — uma verdadeira provocação. Revirou os olhos e o lembrou:"Não se esqueça que parte desse mérito é meu. Se eu não tivesse te forçado a praticar caligrafia, você teria passado vergonha diante de toda a cidade."
Duan Shubai coçou o nariz e riu. "Que vergonha, que nada. Você não pode torcer um pouco por mim? Relaxa! Seu marido é esperto. Se eu não tivesse melhorado a caligrafia, nem teria pensado em distribuir dísticos..."
Ele tinha plena consciência de suas limitações.
Xiao Yuhe: "..."
Então quer dizer que o motivo dele sair distribuindo dísticos era só pra ser elogiado?
.
.
.
.
.


Comentários
Postar um comentário