Estou Construindo Nos Tempos Antigos - Capitulo 60


Capítulo 60 – Flores de Pessegueiro

Com a morte de Qi Kanghu, a batalha se aproximava do fim. À exceção de alguns que ainda resistiam obstinadamente, o restante dos bandidos já havia se rendido. Zhang Changle ordenou que todos fossem amarrados e presos.

Duan Shubai limpava sua arma enquanto dizia:"Levem todos de volta e prendam. Aquele novo território nos arredores da Cidade de Xinyang agora pode ser ocupado pelo povo."

"Su Gang, Liang Lei, vocês dois vão com seus homens até as vilas e limpem os resquícios das forças de Qi Kanghu e Cai Yecheng."

Ambos receberam a ordem e partiram.

Su Gang liderou suas tropas pelos vilarejos. Alguns bandidos mais espertos já haviam fugido para o sul assim que perceberam a derrota iminente. A ação de limpeza foi tranquila. Os aldeões, que antes viviam sob o jugo opressor dos bandidos, não conseguiam acreditar no súbito silêncio das facções criminosas. A princípio, temiam que fosse mais um truque.

Foi só quando os soldados de Duan Shubai chegaram explicando a situação que os moradores, aliviados, celebraram.


"Qi Kanghu morreu!!! Que alívio!"

"Finalmente poderemos viver em paz."

"Foi o General Duan quem matou esse tirano com as próprias mãos!"

Ao verem o corpo de Qi Kanghu, os aldeões, tomados de ódio, não resistiram — mesmo sabendo que ele já estava morto, ainda pegaram pedras e galhos para atirar no cadáver do homem que os havia oprimido por tanto tempo.

Os soldados assistiam, mas não interferiam.

Duan Shubai, na verdade, até se arrependia um pouco — Qi Kanghu cometeu tantos crimes que morrer assim tão facilmente parecia pouco castigo. Ele não teria coragem de desonrar o corpo, mas também não impediria os aldeões de extravasarem sua raiva.

Depois de eliminar os bandidos nas regiões de Jiuchuan, Chuanyue, Lanqian e Suiyu — ao sul das Montanhas Xiya —, Duan Shubai cumpriu sua promessa: Jiuchuan permaneceu sob a administração do povo Jiuli. Chuanyue, Lanqian e Suiyu passaram a ser geridas por oficiais indicados por ele, e um novo sistema administrativo seria instalado com o apoio dos funcionários da Cidade de Xinyang.

Ji Chengyu e seu grupo se juntaram às antigas tropas de Duan Shubai. Agora ele comandava cerca de dois mil soldados.

Ao designar os novos oficiais para essas três regiões, Duan Shubai também enviou Su Gang, Liu Dong e mais trinta soldados, levando sementes, grãos e outros suprimentos — o objetivo era recrutar moradores e também novos soldados, expandindo a população de Xinyang.

Com o território de Yangzhou dobrando de tamanho, Duan Shubai precisava de mais homens. As terras da cidade cresciam, e os prisioneiros que haviam se rendido começariam a trabalhar na construção de estradas, no plantio e na edificação de novas casas após o fim do inverno.

A terra, adormecida por tanto tempo, começava a despertar: dos galhos secos brotavam folhas verdes; a grama morta, agora misturada à água do degelo, dava lugar a novos brotos. As roupas de inverno eram deixadas de lado. Patinhos recém-nascidos balançavam suas bundinhas gordinhas enquanto nadavam nas águas cada vez mais mornas da primavera.

Duan Shubai foi o primeiro a cavar um buraco e plantar uma muda de primavera. Após oferecer incenso e fazer orações, o ritual estava completo: a temporada de plantio estava oficialmente iniciada.

As pessoas, descansadas do inverno, começaram a semear e transplantar mudas. Fileiras de sulcos eram abertas, e novas árvores frutíferas eram plantadas pelas colinas — mudas acumuladas no sistema de armazenamento de Duan Shubai: pereiras, pessegueiros, tamareiras, caquizeiros... e até mangueiras, longaneiras, lichieiras, pitaias e jaqueiras.

Sem pensar duas vezes, ele plantou tudo. Afinal, os soldados nem sabiam o que eram aquelas árvores. Se dessem frutos, ótimo. Se não, ao menos embelezavam a paisagem.

Além das plantações, Duan Shubai mandou construir pequenos gazebos de madeira ao longo das estradas, nos arredores da cidade e nas montanhas próximas. Eram estruturas vazadas, com bancos e até pequenos balanços entalhados em madeira. Ao redor, plantaram videiras e maracujazeiros. Quando crescessem, cobririam os gazebos com folhagens verdes, e na época certa, os frutos — uvas roxas e maracujás redondos — pendurariam-se entre os ramos. Um abrigo bonito e agradável para quem passasse por ali e quisesse descansar.

Xiao Yuhe recebeu uma carta da mãe, avisando que chegaria a Yangzhou no fim de março. O norte estava instável no início do ano — nevascas, seguidas por uma onda de rebeliões. Alguns se revoltaram e o exército teve dificuldades para conter tudo. Temendo que a sogra enfrentasse perigos no caminho, Duan Shubai enviou um pelotão à capital para escoltá-la pessoalmente.

Ao longo do caminho, os soldados viram muitos refugiados — vítimas da guerra. Com orientação de Duan Shubai, os soldados discretamente recomendavam aos mais honestos e íntegros que seguissem para Yangzhou.

O tempo esquentava a cada dia. No ano anterior, Duan Shubai havia plantado pessegueiros dos dois lados das avenidas da cidade. Eles cresceram rápido, alongando os galhos, brotando folhas ao sopro da brisa primaveril. Bastou uma noite de vento sul, e a cidade inteira despertou coberta por flores de pessegueiro.

Os galhos estavam repletos de flores em tons de rosa intenso e branco suave. Pétalas caíam com o vento primaveril, espalhando-se pelos telhados, varandas e almofadas onde os moradores tiravam a sesta. A cidade inteira parecia envolta num mar rosado de flores dançantes.

Com uma cesta de madeira trançada nas mãos, Xiao Yuhe colhia pétalas sob uma árvore em frente de casa. Ao seu lado, Qiu Ran o acompanhava em silêncio. Sua barriga crescia a olhos vistos — já parecia abrigar um melão de médio porte. Mas como ele era alto e usava roupas largas, mal se notava.

Com seus dedos longos e pálidos, Xiao Yuhe colhia pétalas uma a uma e as colocava na cesta. Ele pretendia usá-las para fazer vinho de flor de pessegueiro para Duan Shubai.

Ele já havia pedido a receita à esposa do governador Sun. As dezenas de jarros que preparou estavam fermentando. Duan Shubai prometera ficar longe do álcool durante a gestação dele — e agora, só podia olhar os jarros e suspirar. Xiao Yuhe o via rondando os barris como um ratinho olhando um saco de arroz fechado, com expressão triste, coçando a cabeça, suspirando sem parar.

Pensando nisso, ele ria sozinho.

Enquanto colhia as pétalas, Xiao Yuhe sorria discretamente com cabeça levemente baixa.

Duan Shubai virou a esquina e viu aquela cena: seu amado de pé sob um pessegueiro em flor, sorrindo em silêncio — tão belo quanto a própria primavera. Xiao Yuhe vestia uma túnica branca de seda, solta na cintura, presa apenas por um broche de jade. O vento balançava a roupa leve, realçando sua elegância.

Com passos firmes, Duan Shubai caminhou em sua direção. Os olhos dele brilhavam com ternura e alegria.

Xiao Yuhe levantou o rosto por acaso e viu seu marido se aproximando. Ele ficou surpreso por um instante. De repente, uma brisa soprou pelas suas costas. Ele abriu a mão, revelando um punhado de pétalas. Soprando-as com um sorriso leve, lançou-as ao vento.

Pétalas voaram por toda parte.

Através delas, Xiao Yuhe viu o rosto do homem que amava.

Duan Shubai influenciado por ele, também passou a se vestir com mais requinte. Naquele dia, ele usava uma armadura prateada com bordas douradas nos ombros e uma capa vermelha vibrante. Ele caminhava entre as flores como um jovem general vitorioso voltando da guerra.

Alto, imponente, encantador.

Xiao Yuhe ficou ali, parado, imerso na cena. Por um momento, ele quis pintá-la — mas ao lembrar do "tesouro de família" anterior, pensou melhor. Seu filho não precisava herdar coisas estranhas.

Duan Shubai se aproximou, tirou algumas pétalas cor-de-rosa do ombro e, sorrindo, as jogou na cesta de Xiao Yuhe.

Fitando-o nos olhos, ele disse em voz baixa:"Meu amor é mais bonito do que qualquer flor de pessegueiro."

Xiao Yuhe piscou, e sob aquele olhar intenso, ergueu-se na ponta dos pés para colher uma pétala da árvore. Mostrando-a na frente de Duan Shubai, ele respondeu com um sorriso travesso:"Meu marido também é mais bonito que qualquer flor — embora fosse meio desleixado antes. Mas graças à minha supervisão, está reformado."

Duan Shubai riu e o puxou para um abraço. Com a mão sobre a barriga saliente, perguntou baixinho ao pé do ouvido:"O bebê se comportou hoje? Ele mexeu muito?"

O pequeno já estava chutando e esticando os braços lá dentro.

"Sim, me deu várias pancadas."

Duan Shubai tocava a barriga intrigado ele nunca conseguia sentir os movimentos."Por que será que quando eu estou por perto, ele não se mexe?"

"Provavelmente tem medo de você."

"Medo de mim?"

"Você fica o dia todo enchendo a cabeça dele com táticas militares e literatura..."

"Você que o leva pra ver ópera e música! Cuidado pra ele não virar um daqueles românticos da peça, que desmaia por causa de uma donzela e esquece até do pai."

Xiao Yuhe bateu na mão dele, indignado:"Eu também toco música pra ele e ensino medicina. Ele vai ser um cavalheiro elegante, culto e refinado."

Com o queixo apoiado no ombro magro do amado, Duan Shubai riu.
"Yuhe, quanto maior a expectativa, maior a decepção. Melhor esperar para ver."

"E você acha que nosso filho vai ser como?"

Duan Shubai arrancou uma pétala da árvore e respondeu casualmente:"Com três anos já vai subir no telhado. Com cinco, vai lutar com uma lança e dominar os mares..."

"Para de falar bobagem!" Xiao Yuhe o cutucou na barriga com o cotovelo. "Nosso filho não vai ser bagunceiro. Está vendo como ele fica quieto?"

"Tá bom, tá bom. Ele vai ser comportado."

Xiao Yuhe estreitou os olhos:
"Nada disso. Repete comigo: 'Nosso filho será um cavalheiro elegante, culto e refinado'."

Duan Shubai suspirou e cedeu:
"Nosso filho será um cavalheiro elegante, culto e refinado."

No fim de março, a mãe de Xiao Yuhe finalmente chegou a Yangzhou, vinda de Xuanzhou por barco. Duan Shubai e Xiao Yuhe foram juntos ao cais em construção receber a venerável senhora.
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