Estou Construindo Nos Tempos Antigos - Capitulo 49
Capitulo 49 - Romances
Xiao Yuhe morria de medo do frio. Ele estava aninhado sobre uma macia e quentinha pele de tigre, com um gorro de pele de vison na cabeça, meias felpudas de pelo de coelho nos pés e um aquecedor portátil bem trabalhado aconchegado no colo. Coberto com cobertas, ele tomava goles lentos de chá quente. Com as brasas acesas em todos os cantos da casa, o ambiente estava uma delícia — completamente aconchegante. Em um tempo desses, ele nem pensava em sair para o frio lá fora.
Sua barriga já começava a formar um arredondado notável. Depois de tomar o chá, Xiao Yuhe, por reflexo, pousou as mãos sobre o ventre.
Com os olhos de raposa meio fechados em preguiça, o sono começava a vencê-lo. Queria esperar Duan Shubai voltar para vê-lo antes de dormir, mas o corpo já não obedecia — então resolveu deitar e tirar um cochilo mesmo assim. Em dias frios como esse, não existia prazer maior do que dormir bem quentinho, enrolado no cobertor.
O inverno no sul era até pior que o do norte — aquela umidade gélida se enfiava nos ossos e deixava a pessoa toda molenga.
Pensando nisso, Xiao Yuhe já tinha fechado os olhos de vez, afundado na pele macia do tapete, completamente confortável.
Do lado de fora, Duan Shubai voltava para casa com o torso nu, o corpo emanando vapor quente após o treino intenso. Seus músculos bronzeados estavam cobertos por gotas de suor. Enxugou o rosto com uma toalha e foi direto tomar um banho frio.
"O general voltou!" sussurrou Qiu Ran.
"E Yuhe?"
"O senhor está dormindo."
Duan Shubai vestiu roupas limpas, subiu até o quarto e, ao abrir a porta, viu logo seu amado enrolado como uma larvinha em casulo. Sorriu sem conter a ternura. Sentou-se à beira da cama e viu que só o rostinho do tamanho de uma ameixa estava visível em meio à montanha de cobertas — a pele branca parecia até cristalina, como uma camada de geada sobre as folhas. Os cílios longos e curvados, o narizinho delicado exalando uma respiração adocicada...
No centro da testa, a pinta vermelha parecia uma sementinha de feijão, vívida e encantadora. Aos olhos de Duan Shubai, ele parecia... um pãozinho recheado de feijão vermelho.
"Dormindo de novo, meu bichinho preguiçoso..."
Ultimamente, sempre que via Xiao Yuhe, ele estava dormindo. Claro que era comum gestantes sentirem mais sono, mas Duan Shubai achava que seu branquinho redondinho estava é entrando em estado de hibernação.
"Marido, você voltou?"Xiao Yuhe acordou no meio do cochilo e, ao ver Duan Shubai ao seu lado, sorriu como o sol saindo entre as nuvens.
"Voltei faz um tempinho já."
Xiao Yuhe se mexeu dentro das cobertas, sem querer sair. Com os olhos brilhantes e pidões, olhou para Duan Shubai:"Estou com fome... quero comer..."
Aqueles olhinhos inocentes quase gritavam: "Vem me alimentar! Anda!"
Quando os criados estavam por perto, o jovem mestre ainda se dignava a sair da cama e comer por conta. Mas se Duan Shubai estava ali? Ah, aí ele simplesmente se jogava na cama e esperava ser mimado colher por colher, igualzinho a um leitãozinho preguiçoso.
Era a primeira vez que Duan Shubai cuidava de um esposo grávido, então achava que todos deviam ser assim — totalmente preguiçosos. Como tinha pena de Xiao Yuhe, acabava deixando ele fazer tudo do jeitinho que queria. Ele queria passar o dia deitado? Tudo bem. Ele queria ser alimentado na boca? Claro. Ele queria ajuda até pra tomar banho? Também pode...
Tudo podia. Duan Shubai fazia tudo por ele sem reclamar — e quanto mais mimava, mais mimado Xiao Yuhe ficava.
E quanto menos se mexia, mais sono dava. Aí ele perdia energia, e sem energia, não queria fazer nada — era um círculo vicioso.
Depois de alimentá-lo com todo carinho, Duan Shubai tirou o casaco e se enfiou nas cobertas também, puxando o branquinho redondinho para o colo. A mão quente afastou as roupas de leve, deslizando descaradamente por dentro e pousando direto na barriguinha.
"Tira a mão, tá me fazendo cócegas!"
A cintura era sensível. Assim que os dedos encostaram, Xiao Yuhe se encolheu como se tivesse levado um choque.
"Só quero sentir se nosso filho tá comportado hoje."
"Ele estava dormindo o dia inteiro comigo" respondeu Xiao Yuhe, manhoso.
Duan Shubai finalmente conseguiu encostar na barriga redondinha.
"Yuhe, você acha que nosso bebê vai parecer com você ou comigo?"
Xiao Yuhe fechou os olhos e deixou que acariciassem sua barriga. Depois de um tempinho, murmurou:"... Melhor parecer comigo."
Duan Shubai também achava isso, mas vindo da boca dele...
"????" O que tem de errado comigo?
"Você é alto demais."
Duan Shubai refletiu e concordou.
"É verdade. Se nascer um shuang'er igualzinho a mim... bem, pensando bem, até que seria interessante. Nosso filho é lindo de qualquer jeito."
Xiao Yuhe caiu na risada, tanto que a barriga doeu. Um shuang'er igual ao Duan Shubai? Hahahaha!
"Um shuang'er igual a você... será que conseguiria se casar depois? Mas pensando bem... pelo menos não ia ser alguém fácil de se abusar."
"Vai ver ele mesmo arruma um marido na marra!" brincou Duan Shubai.
"E se calhar ele vai pegar um estudioso, desses fraquinhos. E fazer ele ajoelhar diante do código da casa todo dia... mandar ele ir pro leste e ele nem pensar em ir pro oeste..."
Duan Shubai lançou um olhar torto.
"Fale a verdade... você andou pedindo mais livros pra Qiu Ran, não foi?"
"Aquele autor, o tal Yan Li, é um gênio! Você leu "O Príncipe Consorte"? É sobre um shuang'er da realeza que é general, valente, guerreiro... e ele mesmo sai pra conquistar um estudioso e casar com ele..."
Duan Shubai: "..."
Esse tipo de historinha boba nem chamava a atenção dele. Mas o povo daqui não estava acostumado com ficção, então até os enredos mais simples faziam sucesso.
Xiao Yuhe, empolgado, não parava mais de falar, jogando história atrás de história. Duan Shubai só podia escutar pacientemente.
"E pensar que foi você que mandou escrever esses livros, marido... que faro aguçado o seu!"
Duan Shubai: "..."
Esse tipo de "faro", sinceramente, ele dispensava.
Com um certo pesar, Duan Shubai percebeu que a vida de grávido de Xiao Yuhe era: comer, dormir, ouvir histórias de romance. E o filho ali dentro? Tão pequenininho e já sendo bombardeado com esse tipo de conteúdo... quem sabe no que ia dar?
Ele então decidiu resgatar a criança. Todas as noites, antes de dormir, lia táticas militares e lições de lógica para a barriga. "Meu filho não vai sair do útero achando que a vida é só se apaixonar e correr atrás de maridos!"
A brisa fria do inverno soprava forte, e o Ano Novo se aproximava. Esse ano, o céu estava generoso: a cidade de Xinyang tinha bons estoques de comida, os porcos bem alimentados estavam sendo abatidos em massa, e pelas ruas penduravam-se carnes defumadas com o cheiro de gordura se espalhando pelo ar.
Com as feras de outono e inverno em plena forma, Duan Shubai organizou caçadas nas montanhas. Em grupos, ninguém tinha medo de lobos ou tigres. Moradores mais ousados até acompanhavam os soldados para tentar capturar uns coelhos ou galinhas silvestres e fazer um banquete em casa.
Tinha comida, e carne também carne — o inverno podia ser frio, mas o coração do povo de Xinyang estava quentinho.
Duan Shubai havia fechado o refeitório para o público e mandado abrir um novo mercado na ala oeste da cidade, um tipo de feira popular. Galinhas, patos, peixes — tudo era vendido lá. Os moradores também podiam vender suas hortaliças: quem plantava nabo levava nabo, quem criava repolho, levava repolho. Se queria variar, era só trocar no mercado.
"Estão distribuindo mingau! Vamos pegar uma tigela!"
"Mingau? Que tipo?"
"Mingau de Laba! Hoje é o Festival de Laba!"
"Dizem que quem toma esse mingau vai ter sorte o ano inteiro!"
"Sério? Então bora lá!"
Passado o Festival de Laba, vinha o Ano Novo. As famílias em Xinyang estavam todas radiantes.
Xiao Yuhe recebeu uma carta da mãe. Nela, ela dizia que viria visitá-lo, mas só na primavera, quando o clima melhorasse. Xiao Yuhe não a via há mais de meio ano. Ao saber que estava bem e que viria logo, seu coração se encheu de alegria.
Muitos soldados do norte também estavam escrevendo para casa pela primeira vez — e agora que sabiam ler e escrever, era um feito importante. Alguns até diziam que queriam trazer suas famílias para viver de vez em Yangzhou.
Em meio a esse clima de união e felicidade, começou a nevar — flocos suaves cobriam a cidade como um manto prateado. Lindo demais. Mas o jovem mestre grávido continuava se recusando a sair de casa, preguiçoso feito uma lagarta.
Mas dessa vez, Duan Shubai não podia mais ceder.
As parteiras experientes alertaram: shuang'er grávidos precisavam se movimentar diariamente para facilitar o parto. Se ficassem só deitados o dia todo, podiam acabar tendo complicações no nascimento. Isso gelou o coração de Duan Shubai.
Não dava mais pra deixar Xiao Yuhe ser criado como um leitãozinho mimado.
Todo dia, religiosamente, ele arrastava o redondinho pra dar umas voltas.
No começo, Xiao Yuhe se recusava com todas as forças. Duan Shubai teve que forçar — levou várias mordidas no processo.
"Não quero comer, não quero andar! Vai embora!"
"Você é insuportável! Eu não quero sair!"
"Vamos, Yuhe, seja bonzinho, ouça seu marido..."
Durante a gravidez, Xiao Yuhe ficara muito mais sensível e irritadiço. Bastava um pequeno incômodo pra ele explodir. Duan Shubai só podia se esforçar pra acalmá-lo.
Por sorte, os surtos vinham e iam rápido. E quando a razão voltava, Xiao Yuhe se arrependia todo, com os olhos marejados de culpa:"Eu... eu não sei por quê. Não consigo controlar meu temperamento..."
Duan Shubai sempre teve paciência infinita com ele.
"Não é culpa sua... É esse bebê no seu ventre que está te deixando assim."
"Vamos, o marido vai te levar pra ver a neve."
Ele vestiu Xiao Yuhe com todo o cuidado — colocou uma capa grossa com forro, chapéu, luvas, tudo direitinho — e só então saiu com aquele pacotinho redondo nos braços. Do lado de fora da casa, tinham limpado um caminho estreito na neve. Duan Shubai segurava firme Yuhe enquanto passeavam devagar.
Depois da nevasca, tudo parecia coberto por um véu branco. Debaixo dos beirais, pendiam estalactites de gelo. Duan Shubai quebrou uma delas — era cristalina, quase transparente. Xiao Yuhe olhou com curiosidade e ficou todo animado querendo tocar. Mas Duan Shubai virou a mão e impediu:"Você sente muito frio. Pode olhar, mas não pode tocar."
"Tá bom, não toco então. Marido~ quero fazer boneco de neve!"
"Você não vive dizendo que sente frio? E ainda quer fazer boneco de neve?"
"Você faz. Eu fico olhando." Xiao Yuhe respondeu com um brilho travesso nos olhos, super empolgado.
Duan Shubai: "..."
Ele até quis perguntar:"Você ainda lembra daquele bonequinho de barro que fiz pra você...?"
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